A Prefeitura de Campo Grande optou por congelar os salários dos servidores públicos por tempo indeterminado. A decisão, amparada no novo pacote fiscal sancionado no último dia 14, transforma milhares de trabalhadores em engrenagens silenciosas de uma máquina pública que opera no limite, e joga contra a própria cidade.
É preciso dizer com todas as letras: o servidor é, hoje, a principal via de retorno da arrecadação municipal para a economia local. Se o orçamento da cidade gira em torno de R$ 6,6 bilhões, e a folha de pagamento movimenta cerca de R$ 120 milhões por mês, estamos falando de um instrumento direto de distribuição de renda que impulsiona padarias, farmácias, supermercados, oficinas, lojas e prestadores de serviços nos bairros.
Ao optar por não reajustar os salários há mais de três anos, e agora oficializar esse congelamento por tempo indefinido, a Prefeitura não apenas desvaloriza seus próprios quadros. Ela estrangula o comércio de bairro, empurra famílias para o endividamento crônico e bloqueia o ciclo virtuoso do consumo. Um reajuste modesto de 5%, por exemplo, injetaria R$ 72 milhões por ano na economia campo-grandense. Ao negar esse fôlego, o município corta a própria corrente sanguínea do desenvolvimento.
O que vemos, na prática, é um contingente de servidores altamente qualificados, mas mantidos em estado de sobrevivência. Muitos estão endividados até o limite do crédito consignado, outros já recorrem ao mercado informal para honrar compromissos básicos. E quando o servidor não consome, o comércio sente. Fecha o caixa no vermelho. Reduz turnos. Corta empregos.
Não se trata aqui de defender aumento irresponsável de gastos. Trata-se de compreender que a engrenagem da cidade precisa funcionar com equilíbrio. Valorizar o servidor público é garantir que o dinheiro circule onde ele é mais necessário: na microeconomia dos bairros, no comércio popular, nos pequenos negócios que geram renda e seguram a informalidade.
Campo Grande tem hoje uma gestão que promete investimento futuro, mas ignora o impacto presente. Que celebra corte de R$ 1 milhão em aluguel de imóveis, mas permite que técnicos capacitados operem com salários congelados, enquanto a própria chefia do Executivo teve reajuste superior a 25%.
A CDL Campo Grande reforça: não existe equilíbrio fiscal verdadeiro quando ele se apoia na precarização de quem serve à cidade. Uma administração moderna não empurra servidores para a miséria; ela os transforma em protagonistas do desenvolvimento. Valorizar quem trabalha é também valorizar quem empreende, quem gera renda, quem move Campo Grande todos os dias.
CDL-Campo Grande
Campo Grande – MS, 22 de julho de 2025






