O Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta terça-feira (12), a vereadora Luiza Ribeiro (PT) para falar sobre a audiência pública da próxima sexta-feira (15) na Câmara Municipal para debater a reativação da Ferrovia Malha Oeste, uma das principais demandas logísticas do Estado.
Ela explicou que o evento é uma iniciativa sua com o presidente da Casa, vereador Papy (PSDB) em atendimento à solicitação do STEFBU (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e Mato Grosso do Sul), dos deputados estaduais Zeca do PT e Pedrossian Neto (PSD) e do deputado federal Vander Loubet (PT).
“O encontro tem como objetivo promover um debate amplo, transparente e propositivo com a sociedade civil, empresários, trabalhadores e gestores públicos sobre a importância estratégica da retomada da ferrovia para Campo Grande, Mato Grosso do Sul e todo o eixo logístico Centro-Oeste/Sudeste”, disse.
Luiza Ribeira acrescentou que a reativação da Malha Oeste é vista como um passo decisivo para reposicionar Campo Grande como um centro logístico nacional, com impacto direto no desenvolvimento econômico, na geração de empregos e na integração com a Rota Bioceânica, especialmente por possuir bitola compatível com a da Bolívia, o que pode facilitar a conexão ferroviária com países vizinhos e abrir caminho para um novo corredor internacional até os portos do Pacífico.
A parlamentar destacou que os cinco parlamentares envolvidos na realização dessa audiência pública foram “provocados” pelo STEFBU, que tem uma discussão há muito tempo sobre o equívoco que foi a concessão dessa estrada de ferro para a empresa Rumo.
“Apesar do nome, essa empresa está sem rumo, pois já fizemos uma primeira discussão no ano de 2024 na Assembleia Legislativa a respeito do mesmo tema e nada aconteceu. Estávamos aguardando a decisão do TCU (Tribunal de Contas da União) a respeito de um acordo proposto pelo Ministério dos Transportes e pela Rumo sobre a Malha Oeste, com o intuito de prosseguir com a concessão até junho de 2026”, informou.
No entanto, conforme Luiza Ribeiro, o TCU, recentemente, no mês de junho deste ano, definiu, agora, que não vai permitir a renovação da concessão, mas sim a relicitação da Malha Oeste.
“E nós estamos fazendo uma ampla discussão com vários atores que têm interesse. Nós convidamos o Governo do Estado, que está acompanhando de perto essa questão. O governador Eduardo Riedel (PSDB) já esteve no Ministério dos Transportes por várias vezes conversando a respeito do destino da Malha Oeste, o que mais interessa é resgatar o papel que esta ferrovia teve para o nosso desenvolvimento”, garantiu.
A vereadora recordou que a Rumo pegou a ferrovia e deixou 10 anos desativada, gerando uma multa enorme. “A Rumo está negociando isso com o Ministério dos Transportes, enfim, aplicada também pelo Tribunal de Contas da União. Mas agora nós vivemos um outro momento, vamos dizer que este momento o Brasil está num alto crescimento econômico e nós temos construído essas linhas que fazem a chamada integração com a América Latina e com os países da Ásia”, argumentou.
Luiza Ribeiro ressaltou também que vivemos o perigo de uma crise econômica em razão do uso do petróleo no mundo, então, as ferrovias são mais econômicas para o transporte de cargas. “E nós temos aqui em Mato Grosso do Sul temos plantas industriais de empresas fortíssimas, como, por exemplo, a JBS, que aguarda com ansiedade essa discussão. Já que o minério, de Corumbá, a empresa está transportando via modal rodoviário, com o uso de carretas, que provocam vários acidentes e acaba com as estradas, pois elas não suportam tanto peso”, alertou.
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