Câmara Municipal fica negativa e vereador Papy tem imagem associada a prefeita Adriane Lopes

Pesquisa mostra pela primeira vez em 2025 avaliação negativa do Legislativo; imagem do presidente também foi afetada
Foto IA

Pesquisa de avaliação dos vereadores e da Câmara Municipal publicada nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Ranking mostra que a avaliação do vereador Papy desabou no espaço de pouco mais de dois meses.

Após se posicionar de março a setembro deste ano na condição de vereador melhor avaliado entre todos os 29 parlamentares, no mais recente levantamento Epaminondas Papy despencou para a 8ª colocação.

De acordo com os números divulgados nesta quarta-feira, na primeira colocação aparece Marquinhos Trad (PDT), seguido por Flávio Cabo Almi (PSDB), Silvio Pitu (PSDB), Professor Juari (PSDB), Professor Riverton (PP), Landmark Rios (PT) e Ana Portela (PL).

Só então aparece o vereador Papy, com 2,8% de avaliação positiva, índice bem abaixo de sua melhor performance, em junho, quando seu trabalho parlamentar foi reconhecido por 7% dos entrevistados.

Imagem do parlamento

A imagem da Câmara Municipal também está bem arranhada perante a opinião pública, segundo os números do Instituto Ranking.

Em março, a imagem do parlamento era boa ou ótima para 35% da população, índice que agora caiu para 26%. A avaliação regular baixou de 25% em março para 23% em outubro.

Já a avaliação negativa, no quesito ruim ou péssimo, saltou de 23% em março para 33% neste mês, aumento de 10 pontos percentuais. Foi a primeira avaliação negativa da Câmara Municipal em 2025, aponta o Instituto Ranking.

Avaliação da Câmara Municipal

 Março de 2025Junho de 2025Agosto de 2025Outubro de 2025
Bom/Ótimo35%40%33%26%
Regular25%22%26%23%
Ruim/Péssimo23%20%25%33%
Não sabe/Não respondeu17%18%16%18%

Possíveis causas

Várias são as causas apontadas por lideranças políticas que justificam a péssima percepção da população sobre a Câmara Municipal de Campo Grande, o que acaba por influenciar negativamente no trabalho dos vereadores.

A principal delas seria o comportamento subserviente da Câmara à gestão Adriane Lopes, que apesar de reprovada por 80% dos entrevistados na mesma pesquisa divulgada hoje, segue determinando a pauta do Legislativo.

Matérias que não são de interesse da prefeita, mesmo que sejam em benefício da população, são rejeitadas pela ampla maioria dos parlamentares, sem qualquer constrangimento ou receio de serem cobrados por seus eleitores.

Na sessão desta terça-feira, os parlamentares rejeitaram por 15 votos a 7, projeto de lei que acabaria com as folhas salariais secretas que hoje engordam os salários da nata do funcionalismo público municipal, que inclusive ganha mais que a prefeita.

Submissão antiga

A submissão do Legislativo ao Executivo não é novidade. Ela existiu na gestão do ex-presidente Carlos Augusto Borges, o Carlão, que antecedeu o vereador Papy.

No entanto, a independência do Legislativo jamais chegou a ser tão escancarada e foi reduzida a zero na gestão Epaminondas Neto. Adriane Lopes e seus principais assessores enxergam o Legislativo Municipal como mero “puxadinho”, conforme se referem a ele em conversas reservadas nos corredores do Paço Municipal.

Até vetos da prefeita a projetos de lei de autoria dos próprios vereadores são mantidos pela maioria dos vereadores, numa verdadeira subversão do papel do parlamento.

O trabalho de fiscalizar os atos da prefeita e de seus auxiliares, outro papel de fundamental importância da Câmara Municipal, não é exercido em função da “parceria” entre os dois poderes. 

Folhas secretas, caos na saúde, desequilíbrio fiscal, descumprimento de ordens judiciais, pagamentos sem base orçamentária, estouro do limites prudencial na folha de pagamentos e outras mazelas que colocaram o município em situação de insolvência não merecem nenhuma atitude mais resolutiva por parte do Legislativo.

Dados da pesquisa

Por encomenda da Rede de Rádios Top FM, a quarta pesquisa de 2025 de avaliação dos vereadores e da Câmara Municipal foi realizada pelo Instituto Ranking Brasil Inteligência no período de 10 a 14 de outubro.

Foram entrevistados 1.000 eleitores, com 16 anos ou mais de idade, nas sete regiões urbanas de Campo Grande e nos distritos de Anhandui, Rochedinho e zona rural.

O levantamnento tem intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Outro lado

Vox MS encaminhou pedido de posicionamento do vereador Papy à assessoria de imprensa da Câmara Municipal. Até a publicação desta matéria, nenhuma resposta havia sido encaminhada. O espaço segue aberto e o texto será atualizado caso o parlamentar se manifeste.

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