Caso não recebam o vale, trabalhadores irão deflagrar nova paralisação na madrugada de segunda-feira
Com as finanças extremamente comprometidas, principalmente em função do desequilíbrio contratual e dos sucessivos calotes da prefeitura, o transporte coletivo de Campo Grande deve entrar em colapso a partir de segunda-feira, 27 de outubro.
Essa é a expectativa do deputado estadual Pedro Pedrossian Neto (PSD), que encaminhou nesta quinta-feira (23) pela Assembleia Legislativa, pedido de posicionamento oficial da gestão Adriane Lopes (PP) sobre a real situação das pendências financeiras com o Consórcio Guaicurus.
“Diante da inadimplência da prefeitura, o transporte público está sob risco de entrar em colapso a partir de segunda-feira”, alertou o parlamentar.
Vale ainda não foi pago
Ontem, os trabalhadores paralisaram o trabalho durante uma hora e meia pelo fato de não terem recebido o adiantamento salarial (vale), que é feito no dia 20 todos os meses.
O valor ainda não foi depositado e os funcionários do sistema concordaram aguardar até a segunda-feira para receber o dinheiro. Do contrário, entram em greve até o pagamento ser feito.
Atraso dos salários
Informações levantadas pelo Vox MS junto à Agência Municipal de Regulação (Agereg) dão conta de que o Consórcio Guaicurus ainda não levantou o dinheiro para pagar o vale e que terá extrema dificuldade para quitar o restante dos salários no início de novembro.
Fornecedores de óleo diesel estariam sem receber do Consórcio há mais de 60 dias. Dívidas com os bancos – R$ 12 milhões apenas com o cheque especial – também dificultam a operação do sistema de transporte.
No entanto, o fato de o Consórcio Guaicurus não ter sido incluído no requerimento com o pedido de informações poderá frustrar a iniciativa, já que prevalecerá apenas a versão da prefeitura.
Esta garante estar “rigorosamente em dia com todas as suas obrigações de pagamento junto ao Consórcio Guaicurus”.
Por sua vez, a empresas afirmam o contrário e citam o não repasse de dinheiro do governo do Estado – cerca de R$ 9,5 milhões – a título de subsídio do passe gratuito dos estudantes da rede estadual de ensino residentes em Campo Grande e matriculados nas escolas municipais
Calote é mais amplo
Mas o calote não se restringe ao passe estudantil, segundo Pedrossian Neto. O Consórcio Guaicurus estaria desde junho sem receber os valores do vale-transporte que a prefeitura adquire para repassar aos cerca de 29 mil servidores municipais.
O encaminhamento de expediente com o pedido de informações à prefeitura foi proposto por meio de requerimento, através do qual Pedrossian Neto faz as seguintes indagações:
• A prefeitura se encontra em dia com os pagamentos e repasses contratuais devidos ao Consórcio Guaicurus?
• Em caso negativo, informar o valor total dos débitos existentes, discriminados por competência e natureza das obrigações, sejam elas de subsídios, repasses ou compensações, entre outras;
• Esclareça as razões pelas quais o município não possui certidões fiscais regulares, indicando quais certidões encontram-se vencidas e quais as providências administrativas foram adotadas para a sua regularização;
• Com relação ao passe dos servidores públicos municipais, informar se os pagamentos referentes ao benefício vêm sendo realizados de forma regular;
• Já sobre o passe dos estudantes, quer a prefeitura informe se os pagamentos estão em dia, especificando valores, competência s e eventuais pendências.





