A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana entrevistando o economista Eduardo Matos, que tratou da dinâmica econômica de Mato Grosso do Sul, o planejamento financeiro familiar, as causas e consequências do endividamento e as perspectivas futuras, com foco no controle da inflação e oportunidades de investimento.
“O agronegócio é historicamente parte fundamental da economia do Estado sendo o Centro-Oeste o celeiro do Brasil. A produção é diversificada, incluindo lavouras e pecuária (carne), mas, embora o leite não tenha forte presença cultural, o governo estadual está promovendo sua cultura para reduzir a importação (principalmente da Argentina), agregando valor à produção local”, analisou.
Ele falou ainda sobre a educação financeira é incipiente no Brasil, sendo uma questão cultural e estrutural. “O planejamento financeiro deve iniciar com a anotação e depuração de receitas e, principalmente, de todos os gastos (papel e caneta, aplicativos, Excel). As famílias são a maior parte da economia e, por isso, um bom orçamento doméstico é crucial não só para a família, mas também para o país, evitando o endividamento, que não é interessante para bancos, governo e, principalmente, para as famílias”, pontuou.
Eduardo Matos destacou que o Brasil, incluindo Mato Grosso do Sul, enfrenta níveis muito altos de endividamento e inadimplência. “Ter dívidas, mesmo que pagas em dia, em muitos casos, é positivo, pois libera crédito e movimenta a economia. Porém, não conseguir pagar as dívidas, excedendo o endividamento, faz com que aumente a inadimplência. A pandemia da Covid-19 contribuiu para isso, pois reduziu a renda de muitas famílias, especialmente profissionais liberais e os gastos recorrentes (água, luz, internet, aluguel), que não podem ser eliminados do orçamento familiar, acabaram por agravar o quadro”, comentou.
O economista apontou que o cartão de crédito é o grande vilão, pois é o principal produto que gera inadimplência no país, com cerca de 80% dos inadimplentes o citando como a dívida principal. “É frequentemente visto erroneamente como extensão de renda, quando é um adiamento de pagamento. Usar o cartão além da renda do mês seguinte leva ao crédito rotativo, que possui as maiores taxas de juros do país”, detalhou, completando que os primeiros passos para a organização financeira é elencar prioridades, cortar gastos supérfluos e reduzir os não-cortáveis (como cartão de crédito).
EneOeste
Durante a entrevista, ele também abordou a 15ª edição do EneOeste (Encontro dos Economistas do Centro-Oeste), que será realizada em Mato Grosso do Sul e marcará o retorno do evento ao Estado após mais de uma década. “Essa edição se destaca por uma abordagem renovada, buscando ser mais interdisciplinar e acessível ao público geral, focando no desenvolvimento regional sob a ótica das necessidades da população”, disse.
Eduardo Matos explicou que o EneOeste, que ficou paralisado por alguns anos, retoma suas atividades com esta 15ª edição, sendo sediado novamente no Estado após um hiato de mais de 10 anos. “Diferente das edições anteriores, que eram predominantemente técnicas e voltadas para economistas, este evento propõe um debate mais interdisciplinar. O objetivo é discutir o desenvolvimento regional não apenas sob a perspectiva econômica, mas a partir do que a população precisa saber para impulsionar a região”, assegurou.
Embora seja um encontro de economistas, conforme o profissional, o evento é gratuito e aberto a todos os interessados em entender mais sobre o desenvolvimento do Centro-Oeste, não se limitando a profissionais da área. “A programação incluirá palestras e exposições sobre o desenvolvimento regional. Haverá palestrantes especiais, cujos nomes serão divulgados em breve nas redes sociais do evento”, indicou.
O economista destacou que a palestra magna de encerramento será no dia 31 proferida por uma educadora laureada pela ONU (Organização das Nações Unidas). “Um marco, pois pela primeira vez na história do evento, o palestrante principal não será um economista. O Eneoeste busca alinhar expectativas e ações para o desenvolvimento conjunto do Centro-Oeste, com a colaboração dos estados de Goiás, Mato Grosso e do Distrito Federal. O evento visa reverter desafios históricos da região (como a logística complexa e a baixa densidade demográfica) e consolidá-la como uma área de grandes oportunidades no país”, finalizou.
Assista a entrevista completa pelo link:




