Entrevista com o vice-governador Barbosinha, no Jornal da Top

Rede Top FM

Nesta quarta-feira (29), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou o vice-governador José Carlos Barbosa (PSD), o “Barbosinha”, que abordou diversos temas cruciais para o desenvolvimento econômico e a segurança pública de Mato Grosso do Sul.

Sobre a concessão da Rota da Celulose, ele informou que o recurso judicial de uma das empresas envolvidas no certame está pendente de julgamento no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). “Acredito que nesta semana o TJ deve julgar esse recurso, que já foi negado em primeira instância. Entretanto, o governador Eduardo Riedel (PP) já homologou o segundo colocado, o consórcio XP, e espera que o processo siga adiante”, comentou.

Ele ainda detalhou a Rota da Celulose, completando que ela abrange aproximadamente 870 quilômetros de rodovias, incluindo trechos estaduais – MS-040, MS-338 e MS-395) – e federais – BR-267 e BR-262 -, que ligam Campo Grande a Santa Rita do Pardo, Bataguassu, Três Lagoas e Nova Andradina do Sul.

“A inclusão dos trechos federais foi uma conquista importante, solicitada pelo governador Eduardo Riedel ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante sua visita dele a Corumbá, tornando a rota mais atrativa para os investidores. Esperamos investimentos expressivos, beneficiando a rota turística e o desenvolvimento da região”, declarou.

A respeito da Rota Bioceânica, Barbosinha afirmou que ela está se consolidando, com a obra de construção da ponte sobre o Rio Paraguai no município de Porto Murtinho estando 80% concluída e com a alça de ligação no lado brasileiro em pleno vapor.

“Estudos do BID identificam gargalos como questões aduaneiras, fitossanitárias e logísticas, porém, recentemente, a Argentina e o Paraguai chegaram a um acordo para construir uma ponte e pavimentar um trecho de 30 quilômetros em Pozo Hondo, na fronteira entre os dois países, somando-se a 500 quilômetros já pavimentados no Paraguai e outros 300 quilômetros previstos para serem asfaltados”, assegurou.

No entender do vice-governador, a Rota Bioceânica será um caminho de saída mais viável economicamente para a produção de Mato Grosso do Sul e do Centro-Oeste brasileiro. “Mato Grosso do Sul se transformará em um hub logístico para produtos vindos da Ásia e da costa oeste dos Estados Unidos, com economia de até 17 dias de viagem e custos mais baixos pelos portos do Pacífico (Iquique, Antofagasta) em comparação com o Canal do Panamá. Isso atrai o interesse de empresas chilenas, argentinas e da China”, revelou.

Segurança pública

Ex-secretário estadual de Justiça e Segurança Pública na gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), ele também abordou a questão, tratando dos desafios nacionais e fronteiriços. “O Rio de Janeiro (RJ) vive um ‘estado de guerra’ com o crime organizado dominando diversas regiões onde o Estado não consegue entrar. O enfrentamento persistirá por um longo tempo para retomar o domínio público”, projetou.

Barbosinha reforçou que o que alimenta o crime organizado no Brasil são as armas, drogas e munições que passam pelas fronteiras de Mato Grosso do Sul com a Bolívia e o Paraguai. “A maior guerra atual é contra o tráfico, que destrói famílias. Mato Grosso do Sul faz fronteira com o Paraguai (grande produtor de maconha) e a Bolívia (produtora de cocaína), com mais de 1.600 quilômetros de extensão, parte dela seca. Apesar dos recordes anuais de apreensão, muito ainda passa”, lamentou.

O vice-governador argumentou que Mato Grosso do Sul não é um caos na segurança pública devido à atuação firme do Estado e ao trabalho integrado com Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e, ocasionalmente, Forças Armadas. “A fronteira dos EUA com o México, menor que a de Mato Grosso do Sul, conta com mais de 20 mil homens, enquanto o efetivo somado da PF e PRF aqui mal chega a 400 homens”, comparou.

Com relação ao flagelo do feminicídio em Mato Grosso do Sul, onde o número já chegou a 32 casos somente neste ano, ele reconheceu que, apesar de programas estaduais como o Protege e a IA Vitória, os assassinatos de mulheres pelos seus companheiros e ex-companheiros ainda persistem no Estado. “O principal desafio é o ‘machismo estruturante’. A solução passa por um trabalho de conscientização e educação desde cedo, nas escolas, igrejas e associações, enfatizando que ‘quem ama não mata, quem ama não agride’”, pontuou.

Para Barbosinha, a segurança pública é o “desaguadouro” dos problemas, que devem ser trabalhados no ambiente familiar, combatendo o ciclo de violência e a submissão. “O governo de Mato Grosso do Sul tem coordenado esforços para combater a violência contra a mulher, focando em tecnologia e celeridade, com a implementação de avanços tecnológicos e processos mais rápidos para o cumprimento de mandados de urgência pela Polícia, e o esclarecimento dos crimes, pois nenhuma morte de mulheres ou feminicídio permanece sem esclarecimento no estado, com todas recebendo respostas investigativas”, assegurou.

Invasões de terra

O vice-governador ainda comentou sobre os conflitos por terra no Estado e a recente invasão de uma propriedade rural no município de Caarapó por indígenas. “A discussão sobre aquisição de terras para indígenas tem muita fala e pouca ação do governo federal. Por isso, temos a suspeita de que há estruturas políticas para manter vivo esse litígio”, criticou.

Para ele, os incidentes em Caarapó, com queima de plantações, casas e máquinas agrícolas, são atos de “terrorismo”. “O Estado não pode permitir tal barbárie, que atinge produtores rurais que são proprietários de terras adquiridas legalmente, algumas centenárias, e não terras griladas. A remoção desses pequenos produtores os transforma também em sem-terra, enquanto os processos judiciais se arrastam por décadas sem solução”, ponderou.

Barbosinha acredita que a aquisição de terras e a reforma agrária devem ser resolvidas através de orçamento, com a participação dos poderes para oferecer respostas, e não por meio de invasões violentas. “A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul interveio em Caarapó para conter a situação e evitar um confronto armado entre indígenas e produtores rruais, que poderia resultar em mortes de ambos os lados. Uma decisão do TRF 3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) manteve a autorização para a PM permanecer na propriedade”, informou.

Futuro político

A respeito do futuro político e da gestão atual do Estado, o vice-governador comentou que o principal foco do governador Eduardo Riedel e seu também é continuar administrando Mato Grosso do Sul de forma eficaz, mesmo em um cenário de grandes dificuldades. “O não aumento de tributos no início do governo e a redução drástica no bombeamento de gás da Bolívia para o Brasil representaram uma queda de 25% na receita de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)”, revelou.

Ele também informou que o Estado amarga três anos consecutivos de frustração da safra de grãos, o que resultou em uma perda de R$ 1,5 bilhão na arrecadação. “Diante da queda de receita, o governo optou por reduzir despesas sem cortar investimentos, pois entende que frear investimentos é frear o desenvolvimento do Estado”, afirmou.

Sobre os planos políticos, Barbosinha manifestou o desejo de repetir nas eleições de 2026 a chapa vencedora com Eduardo Riedel no pleito de 2022, entretanto, reconheceu que isso depende de uma construção política regional e do apoio, não apenas de Dourados, mas de todo o interior do Estado que ele representa.

Assista a entrevista completa pelo link:

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