Entrevista com o deputado estadual Pedrossian Neto, no Jornal da Top

A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, iniciou a semana entrevistando, nesta segunda-feira (10), o deputado estadual Pedro Pedrossian Neto (PSD), que fez duras críticas à gestão atual do município de Campo Grande.

O parlamentar, que também é economista e ex-secretário municipal de Finanças e Planejamento de Campo Grande, expressou profunda preocupação com a administração municipal da Capital, alegando que a cidade enfrenta uma situação crítica devido à má gestão, apesar do aumento significativo da arrecadação.

“Com a minha experiência na administração municipal, me sinto obrigado a dar voz aos problemas para que haja uma correção de rumos na cidade. Campo Grande, com quase um milhão de habitantes e um orçamento superior a R$ 6 bilhões, tem visto sua arrecadação de impostos crescer expressivamente”, revelou.

Conforme Pedrossian Neto, houve um aumento de R$ 670 milhões na arrecadação (janeiro a agosto de 2022-2025) e mais de R$ 1 bilhão de crescimento anual de impostos sob a gestão atual. “Apesar disso, a cidade está completamente esburacada, mal cuidada e mal gerida, indicando que o problema não é a falta de recursos, mas a ausência de gestão eficiente”, afirmou.

Para ele, o principal ponto de crítica é a nomeação de secretários sem a devida qualificação técnica para as pastas que ocupam. “A Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) é liderada por um pastor, sem formação em engenharia de tráfego, crucial para uma cidade em crescimento, enquanto a Secretaria de Regulação, que cuida das concessões de transporte coletivo urbano e dos serviços de saneamento básico, é gerida por um especialista em assistência social, que precisa aprender sobre concessões e parcerias público-privadas na cadeira, atrasando a resolução de questões complexas”, reclamou.

Já o IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande), de acordo com o deputado estadual, é gerido por um sindicalista e ex-vereador que não tem conhecimento específico em planos de saúde ou gestão previdenciária, áreas de alta complexidade e pressão fiscal. “A parte de esporte é dirigida por um médico, cuja expertise é na saúde, não no esporte”, alertou.

Com relação à Secretaria de Governo, Pedrossian Neto chamou a atenção para a instabilidade da Pasta com seis trocas de secretário em quatro anos, prejudicando a articulação e coordenação essenciais da Prefeitura. “A existência de três secretarias (Governo, Casa Civil e Articulação Regional) para cuidar da política é redundante e ineficiente, enquanto a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) é a ‘cereja do bolo’, pois não tem secretário desde a saída de uma técnica qualificada”, comentou.

Ele lembrou que a Sesau gere quase sete mil funcionários, dezenas de unidades de saúde, UPAs, CRSs e hospitais como a Santa Casa, passou a ser administrada por um “comitê gestor”, o que foi considerado uma “aberração” dada à complexidade da Pasta. “Em suma, Campo Grande sofre de uma crise de gestão, em que o aumento de recursos não se traduz em melhorias para a cidade devido à falta de competência técnica e à instabilidade na composição das secretarias”, garantiu.

Outro ponto abordado pelo parlamentar é que a prefeita Adriane Lopes (PP) solicitou R$ 120 milhões para a construção de um viaduto perto da fábrica da Coca-Cola, enquanto há carências urgentes em bairros como Noroeste, Centro-Oeste e a favela da Aguadinha. “Ela tinha a intenção de construir um novo hospital quando os existentes estão em situação precária”, comparou.

A respeito da alegação da gestora de ter recebido a Prefeitura Municipal “quebrada”, ele afirmou ter deixado R$ 892 milhões em caixa em março de 2022, com comprovação via SICONF e Tribunal de Contas. “A Prefeitura apresenta grande inadimplência com contratos de serviços essenciais, como Consórcio Guaicurus (transporte público) em risco de paralisação, Santa Casa prestes a quebrar e empresas de tapa-buraco e cascalhamento têm mais de R$ 15 milhões a receber, com aviso de falta de dinheiro para este ano. Além disso, deve R$ 40 milhões à Solurb, o que gera risco de paralisação na coleta de lixo. A capina e roçada já estão praticamente paralisadas”, informou.

Pedrossian Neto criticou o fato de a Prefeitura Municipal ter decretado o corte do expediente para seis horas, com o fechamento às 13h30, o que é visto como uma medida que prejudica o cidadão que busca serviços públicos. “Embora algumas categorias (enfermeiros, psicólogos, emergência) possam se beneficiar de jornadas reduzidas, a decisão linear e sem planejamento para o atendimento público é inadmissível”, reclamou.

Para finalizar, o parlamentar recomendou que a prefeita Adriane Lopes exonere os atuais secretários municipais e faça a nomeação de pessoas técnicas para as secretarias. “Ela precisa reformar a arquitetura institucional, eliminando pastas desnecessárias (como a de “articulação regional”) e reestruturando outras. Aderir ao Plano de Equilíbrio Fiscal (PEF) para impor regras e buscar capital de giro e destravar a economia, incentivando a construção civil, atraindo investimentos e dialogando com o empresariado”, concluiu.

Assista a entrevista completa pelo link:

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