A gestão do governador Eduardo Riedel (PP), recentemente filiado ao Progressistas, enfrenta um duplo desafio que coloca em xeque sua reeleição em 2026: a superação de problemas internos de arrecadação, serviços públicos, e o avanço de um cenário político profundamente polarizado em Mato Grosso do Sul (MS).
A estratégia de Riedel, baseada em uma imagem “técnica”, distanciamento do PT estadual, governo Lula e da Extrema Direita, pode provocar a ascensão de candidaturas competitivas nas extremidades do espectro ideológico.
Ameaças nas duas pontas
As pesquisas eleitorais (maio e novembro de 2025) confirmam que Eduardo Riedel lidera a intenção de votos, com percentuais que oscilam entre 40% e 51%, o que, no limite, lhe garantiria uma vitória no primeiro turno. No entanto, a conjuntura de 2026 desenha um cenário de forte competição nos extremos, elevando a probabilidade de um segundo turno.
O crescimento da Esquerda
O panorama nacional, com a aparente recuperação da popularidade do ex-presidente Lula, reflete um potencial crescimento da esquerda em MS. O nome que mais capitaliza esse movimento é o do ex-deputado federal Fábio Trad (PT), que se posiciona como uma alternativa de centro-esquerda.
Força Eleitoral: Fábio Trad aparece nas pesquisas com intenções de voto que variam entre 12% e 16%, isso sem fazer pronunciamento que é pré-candidato.
Consolidado como principal nome de oposição no campo progressista e com o apoio do eleitorado lulista, o candidato da esquerda tem potencial para absorver uma fatia significativa, projetada entre 15% e 30% do total, crescendo muito em Campo Grande, o maior colégio eleitoral do estado.
A Extrema Direita quer candidatura própria
A oposição mais intransigente a Riedel reside no campo da direita os “Bolsonaristas autênticos”, mantém a mágoa pela postura do governador durante a disputa de 2022.
Riedel derrotou o Capitão Contar (PRTB) no segundo turno de 2022, apesar do apoio declarado de Jair Bolsonaro a Contar. Desde então, uma parcela considerável da Extrema Direita no estado mantém uma “recusa ativa” em votar no atual governador.
As pesquisas de 2025 indicam que, independentemente do pré-candidato – seja Capitão Contar, Marcos Pollon ou Henrique Catan, o bloco dos chamados “Bolsonaristas autênticos” detém uma base sólida, com intenções de voto que oscilam entre 14% e 20%.
O peso político de Adriane Lopes
O apoio público do governador Riedel à reeleição da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), no maior colégio eleitoral do estado, configura um “vínculo de risco” que já está afetando negativamente a sua imagem.
A administração da perefeita Adriane Lopes na capital é marcada por uma desaprovação alarmante, que atinge 80% em algumas pesquisas, majoritariamente concentrada nas áreas de saúde e infraestrutura.
A população de Campo Grande depositou expectativas no apoio de Riedel para concretizar promessas cruciais – como a construção do Hospital Municipal, contratação de médicos, compra de medicamentos, investimentos em recapeamento asfáltico, transporte coletivo e infraestrutura.
A percepção generalizada, no entanto, é de que as ações do governo estadual têm sido insuficientes, e que o quadro de serviços públicos na capital se deteriorou e o que estava ruim, piorou. A situção financeira do município é compricada e do conhecimento de toda a sociedade.
A matemática do 2º Turno
Com Eduardo Riedel posicionado na faixa dos 40% a 51%, a soma das intenções de voto da oposição de esquerda (15-25%) e de extrema-direita (18-22%) ultrapassa facilmente a marca dos 40%, o que torna o cenário de segundo turno altamente provável.
A necessidade de Riedel disputar o segundo turno com um dos extremos ideológicos – seja Fábio Trad ou um candidato Bolsonarista radical – representaria um risco político significativo para sua reeleição, forçando-o a costurar uma aliança complexa em um ambiente já polarizado.
Eduardo Riedel pretende disputar a reeleição com o número 11 (PP), o mesmo de Adriane Lopes e de Alcides Bernal.






