Entrevista com a mestre em Psicanálise Clínica Eliene Smith, no Jornal da Top

Rede Top FM

Nesta quinta-feira (27), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou a jornalista e mestre em Psicanálise Clínica Eliene Smith, que tratou sobre o impacto profundo da rejeição e a urgência de educação preventiva para adolescentes, abordando tanto questões emocionais quanto a influência da cultura e da mídia na sexualidade precoce.

“A rejeição do parceiro, família ou sociedade é muito pesada e deixa marcas profundas em uma adolescente, levando a sentimentos de insuficiência e incapacidade. Isso pode evoluir para dependência emocional em que a busca por acolhimento leva a relacionamentos tóxicos e abusivos”, alertou.

Ela completou que a dor emocional não comunicada e guardada internamente pode resultar em transtornos de ansiedade e impactar negativamente relacionamentos futuros. “É como comer algo que faz mal e não expelir. A escola é um fator crucial na rede de proteção junto com Conselho Tutelar, Ministério Público e Polícia para adolescentes, especialmente em casos de gravidez na adolescência”, explicou.

Eliene Smith lamenta que as escolas públicas falhem em debater abertamente temas como corpo, prevenção e consequências da sexualidade. “Tenho tido ofertas voluntárias de palestras sobre esses temas negadas por órgãos governamentais para escolas estaduais. A falta de diálogo em casa e na escola leva adolescentes a buscar informações nas redes sociais, que muitas vezes apresentam influências perversas, apologias e romantização da sexualização”, assegurou.

Para a mestre em Psicanálise Clínica, o debate técnico e aberto na escola poderia evitar bullying, dor emocional e muitas outras consequências, em vez de apenas lidar com elas após o problema já ter ocorrido. “A cultura musical, especificamente o funk proibidão na periferia, e os filmes com cenas explícitas de sexo direcionados a faixas etárias como 12-14 anos contribuem para a sexualidade precoce, gravidez na adolescência e aborto. Os adolescentes, que estão em fase de construção e sem base sólida, são altamente vulneráveis a essas mensagens. A solução para quebrar esse ciclo é a orientação e instrução”, argumentou.

Ela se coloca à disposição para oferecer palestras voluntárias. “Diretores de escolas particulares têm mais liberdade para contatá-la diretamente. Para escolas públicas, o contato deve ser feito através da Secretaria de Educação, que precisa autorizar a iniciativa pelo telefone 9 9212-4136”, comentou.

Autora do livro “Não Quero Ser Mãe”, Eliane Smith utiliza a obra como uma provocação para gerar reflexão sobre o julgamento social e dar voz às mulheres que vivenciam essa realidade. “O título do livro busca desafiar o julgamento imediato, mostrando como as pessoas muitas vezes julgam pela capa sem conhecer as histórias por trás. O objetivo é dar voz a mulheres que foram julgadas, especialmente aquelas que engravidaram na adolescência, e que muitas vezes abandonaram os estudos e enfrentaram dores emocionais”, comentou.

A mestre Psicanálise Clínica reforçou que a família tem o papel primordial de instruir e orientar para o caminho certo. “Em caso de gravidez, o correto é apoiar a adolescente, ajudando-a a assumir a nova realidade, dar suporte para continuar os estudos e orientar para o melhor caminho, em vez de ignorar ou rejeitar o problema”, concluiu.

Assista a entrevista completa pelo link:

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