Campo Grande, MS – A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), que frequentemente se alinha com a defesa da liberdade de expressão, princípio encampado por figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro, viu-se no centro de uma controvérsia após reagir a protestos e vaias direcionadas à sua administração em eventos públicos, como a celebrações Nas Moreninhas, a abertura do “Natal dos Sonhos” e na Festa de Santo Antônio.
Crítica e contradição
O cerne da controvérsia reside na inconsistência entre o discurso da prefeita e sua atitude diante da crítica. A prefeita, que evoca o princípio da liberdade de expressão, agiu com veemência e acusações graves ao se deparar com a insatisfação popular expressa por meio de faixas, cartazes e vaias.
- Reação imediata: Em vez de reconhecer a legitimidade da manifestação (amparada pelos Art. 5º, IV, IX e XVI da Constituição Federal), a prefeita optou por desqualificá-la.
- Acusações: Em entrevista, Adriane Lopes alegou que os protestos eram orquestrados por adversários políticos — citando nominalmente Marquinhos Trad (PDT) e Rose Modesto (União Brasil) — e que teriam envolvido “bandidos” e pessoas “armadas”.
Falta de solidariedade
A postura da prefeita se torna ainda mais criticamente questionável devido à atuação da Guarda Municipal e à sua subsequente falta de solidariedade.
- Agressão a Manifestantes: Vídeos que circularam nas redes sociais sugeriram que a Guarda Municipal agiu com excesso, mostrando agressões a manifestantes que portavam narizes de palhaço, faixas e cartazes. Imagens chocantes incluíram:
- Uma idosa sendo jogada no chão.
- Uma mãe atípica sendo empurrada por um agente.
- Um professor sendo preso.
- Silêncio Indignado: A prefeita, que se define como missionária, não demonstrou solidariedade ou fez críticas à violência contra os manifestantes. Sua versão limitou-se a afirmar que a Guarda agiu para “proteger as famílias e as crianças”, ignorando os relatos e vídeos de agressão.
A Realidade da Gestão
O repúdio público não se limitou a um evento isolado; a prefeita foi vaiada repetidamente em diferentes ocasiões.
Essas manifestações populares sugerem um “choque de realidade” e uma desconexão entre a imagem positiva que a prefeita tenta veicular nas redes sociais e a percepção da população, que enfrenta problemas graves, como:
- Buracos nas vias.
- Caos na saúde pública.
- Denúncias de desvio de recursos do Fundo Municipal de Saúde (FMS).
- Congelamento e redução de salários de servidores.
A reação de Adriane Lopes reacende um debate fundamental: para líderes políticos, a liberdade de expressão parece ser um princípio defendido apenas quando é conveniente ou quando se alinha a pautas que os beneficiam, tornando-se um incômodo e motivo de repressão quando se volta contra a própria gestão.






