Nesta terça-feira (16), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou o deputado estadual Professor Rinaldo Modesto (Podemos), que abordou a realidade política e social de Mato Grosso do Sul, com foco especial nos desafios de governança e prestação de serviços públicos em Campo Grande, cultura política do Brasil e importância da educação.
“O Estado está bem posicionado nacionalmente em infraestrutura, com um dos maiores PIBs e mais de R$ 80 bilhões em investimentos privados, mas, apesar disso, ainda enfrenta grandes desafios, especialmente na saúde. Em Campo Grande, por exemplo, há uma governança instável, onde a prefeita já trocou seis vezes de secretário de Governo. Além disso, há má alocação de funções, com um médico cuidando do esporte e um pedagogo cuidando do trânsito, o que é inadequado”, criticou.
Ele ainda citou as promessas não cumpridas para a saúde. “A prefeita prometeu entregar medicamentos em domicílio e hoje não tem nem nos postos. Temos ainda falta de investimento na medicina primária”, citou.
Questionado sobre a repetição do discurso “saúde, segurança e educação” sem soluções, o Professor Rinaldo afirmou que tudo se resume à educação. “O Brasil, apesar de ser um continente e uma das dez maiores economias, ainda tem milhões de pessoas sem saneamento básico ou água potável, provando que a educação nunca foi priorizada. Rui Barbosa e Platão já reforçavam no passado a importância da educação e da participação política”, pontuou.
O parlamentar criticou a cultura brasileira de não valorizar a prevenção e a educação, citando frases populares como “correr atrás do prejuízo” ou “leite derramado”. “Falta consciência política, pois a maioria das pessoas não se lembra em quem votou para vereador e, consequentemente, não cobra seus representantes. A falta de envolvimento na política leva a ser governado por aqueles que se envolvem”, argumentou.
Sobre a greve no transporte coletivo urbano de Campo Grande, o deputado, que já foi cobrador de ônibus, descreve a situação como caótica. “A Prefeitura e as empresas de ônibus estão em disputa sobre uma dívida de aproximadamente R$ 39 milhões, referente a um aditivo contratual de 2022 que cobre a diferença entre a tarifa pública e a tarifa técnica. As vítimas dessa situação são os usuários, os trabalhadores do transporte e os empresários que dependem de seus colaboradores”, analisou.
A respeito do seu futuro político, o Professor Rinaldo disse que, devido à reestruturação de partidos, com fusões e federações, o Podemos e outras legendas provavelmente não terão condições de formar chapa para as próximas eleições. “Por isso, serei obrigado pelas circunstâncias a migrar de partido durante a janela eleitoral de março a abril de 2026”, revelou.
O parlamentar disse que o partido pretendido é o União Brasil, que hoje é presidido pela irmã dele no Estado, a ex-deputada federal Rose Modesto. “Como a minha irmã é a presidente estadual, isso me confere segurança. Além disso, o governador Eduardo Riedel (PP) está consolidando a base de governo, buscando agregar 20 deputados estaduais em um máximo de três ou quatro partidos”, detalhou, concluindo que tentará a reeleição em 2026.
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