A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana, nesta sexta-feira (19), entrevistando o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), pré-candidato a governador de Mato Grosso do Sul, que tratou do cenário político e econômico do Brasil e de Mato Grosso do Sul (MS), além de sua pré-candidatura ao Governo do Estado.
“O Brasil, sob o governo do presidente Lula, experimentou profundas transformações econômicas. O País saiu do mapa da fome, retirou 2 milhões de famílias do Bolsa Família, reduziu a taxa de desemprego e controlou a inflação, que hoje está compatível com a meta. Houve uma diminuição significativa da desigualdade social, um problema histórico no Brasil. Os indicadores econômicos apontam para uma era de prosperidade, aumentando a renda e a dignidade das pessoas mais vulneráveis”, registrou.
Sobre a pré-candidatura a governador, ele lembrou que foi oficialmente lançado como pré-candidato para fortalecer a sustentação do Governo Lula e apresentar um modelo alternativo de gestão no Estado. “Minha pré-candidatura é crucial para democratizar o debate público em Mato Grosso do Sul. Sem uma candidatura de centro-esquerda/esquerda, a atual gestão não seria submetida ao escrutínio público, resultando em uma vitória por W.O. para a direita ou extrema-direita”, analisou.
Fábio Trad explicou que o eixo central de seu projeto é apresentar um modelo de gestão diferente, que não trate o Estado como uma empresa privada. “Mato Grosso do Sul deve prestar serviços públicos de qualidade às pessoas que mais precisam, como os pobres e a classe média. A gestão atual administra o Estado como uma empresa privada, o que é inadequado”, assegurou.
Para o ex-deputado federal, muitas conquistas do governo federal em benefício do Estado, como a isenção do Imposto de Renda para mais da metade dos professores de Mato Grosso do Sul, não são amplamente conhecidas devido a um “anestesiamento da imprensa”, que não exerce um papel crítico independente. “Apesar de ser gerido como uma empresa privada, conforme os números, o Estado está à beira da falência”, alertou.
Ele pontuou que a economia estadual é fundamentalmente baseada no agronegócio e, embora reconheça sua importância, defendeu a diversificação econômica para que outros setores contribuam. “A tecnologia do agronegócio, muitas vezes atribuída ao setor privado, é na verdade financiada por impostos da população e instituições como a Embrapa. Caso seja eleito, quero me aprofundar na análise e nos dados sobre as renúncias fiscais concedidas pelo governo estadual”, avisou.
Sobre a crise no transporte coletivo urbano de Campo Grande, Fábio Trad avaliou que o fato foi marcado por falta de transparência e dados “truncados” por parte da Prefeitura e do governo estadual. “Houve ruídos na comunicação e informações contraditórias sobre os repasses financeiros ao consórcio Guaicurus. Eu defendo a legitimidade das reivindicações dos motoristas e enfatizou que ninguém pode trabalhar sem receber”, afirmou.
O ex-parlamentar ainda questionou a intervenção do governador Eduardo Riedel (PP) para resolver a greve. “Se o governador tinha condições de pagar antes, por que esperou três dias, causando prejuízos ao comércio e à população? Não se pode dizer que o governador salvou Campo Grande, mas sim que poderia ter agido de forma preventiva para evitar o trauma”, argumentou.
Respondendo a pergunta sobre quem será sua pré-candidata à vice-governadora, ele revelou que será a ex-primeira-dama do Estado Donal Gilda, esposa do deputado estadual Zeca do PT. “Dona Gilda é muito querida, respeitada, eticamente conceituada e trabalhadora, com experiência bem-sucedida em programas sociais de redistribuição de renda. Ela dialoga bem com povos originários, quilombolas e indígenas, focando nos mais vulneráveis e na grande quantidade de pessoas pobres no estado.
O pré-candidato a governador avaliou que, em nível nacional, o governo federal teve um bom desempenho, apesar de ser “atrapalhado e sabotado por um congresso inimigo do povo”. “A conquista da isenção do Imposto de Renda para 58% da classe trabalhadora (até R$ 5.000, com benefício adicional até R$ 7.500) se equivale a um 14º salário para muitos. Essa medida é crucial para aumentar a renda da classe média trabalhadora e dos mais vulneráveis, embora possa não fazer diferença para salários mais altos”, assegurou.
Para concluir a entrevista, Fábio Trad disse que se sente à vontade no PT, defendendo seus projetos de Estado. “Fui recebido com carinho e respeito pelos militantes do PT e do campo da esquerda em virtude de minhas posições críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desde 2019. Com relação ao preconceito que as pessoas têm em relação ao PT, posso desmistificar essa ideia dizendo que é um partido muito aguerrido e combativo. O PT é uma legenda programática, propositiva, muito preocupada com a questão social e a maior da América Latina”, garantiu, enaltecendo as conquistas dos governos de Lula e Dilma.
Assista a entrevista completa pelo link:




