Vereador Maicon Nogueira sobe o tom e defende afastamento de servidores investigados por corrupção

Reprodução IA

Campo Grande assiste a um melancólico “apagar das luzes” em 2025, mas não da forma que a gestão municipal planejava. O que deveria ser o encerramento de um ciclo administrativo transformou-se em um cenário de guerra política e desconfiança pública após a deflagração da Operação “Apagar das Luzes” pelo Gecoc e Gaeco. O desdobramento mais contundente, contudo, não vem apenas dos autos do processo, mas de dentro da própria base aliada: o vereador Maicon Nogueira (PP) subiu o tom, sinalizando que a lealdade partidária tem limite.

O preço da escuridão

Enquanto o contribuinte campo-grandense arca com a taxa de iluminação pública mais cara do Brasil, gerando uma arrecadação anual de R$ 200 milhões, as investigações apontam que a eficiência do serviço foi preterida em favor de um esquema de superfaturamento e licitações direcionadas.

O foco recai sobre a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) e um trio de empresas (Construtora B&C, JLC Ltda e M.R Construtora) que, segundo o Ministério Público, operavam em um ecossistema de fachadas para drenar os cofres públicos. O montante sob suspeita chega a R$ 110 milhões em contratos de LED, tecnologia que deveria trazer economia, mas que, ironicamente, tornou-se o ralo do dinheiro público.

Maicon Nogueira e a ruptura estratégica

O movimento de Maicon Nogueira é um divisor de águas. Ao exigir o afastamento imediato de servidores e a suspensão de contratos, o vereador do Progressistas retira o “escudo” político da prefeita Adriane Lopes dentro de sua própria legenda.

“Colaborar com a justiça não é mérito, é obrigação. O que a cidade exige agora é a limpeza dos quadros e a interrupção da sangria,” afirmou o parlamentar, rejeitando o que classificou como uma ‘cortina de fumaça’ montada pelo Paço Municipal.

A postura de Nogueira não é apenas ética; é um cálculo de sobrevivência política. Ao sinalizar que defenderá a cassação de mandatos caso o envolvimento de agentes políticos seja comprovado, ele antecipa o clima de “salve-se quem puder” que deve dominar a Câmara Municipal nos próximos meses.

O custo da crise em números:

O Isolamento da prefeita Adriane Lopes

A gestão de Adriane Lopes enfrenta agora um “efeito dominó”. Quando um nome de peso da base governista, como Maicon Nogueira, decide vocalizar a indignação popular, ele abre caminho para que outros vereadores indecisos abandonem o barco para evitar o desgaste eleitoral.

A prefeita, que tentava manter a narrativa de “gestão técnica e transparente”, vê-se encurralada entre a necessidade de manter o apoio da Sisep e a pressão externa por uma resposta drástica. A manutenção de servidores investigados em cargos estratégicos tornou-se um passivo político que pode custar caro não apenas em termos de governabilidade, mas em processos de cassação que já começam a ser murmurados nos corredores do Legislativo.

O “Apagar das Luzes” de 2025 parece estar apenas começando, e a luz que ele lança sobre o uso do dinheiro público em Campo Grande revela uma face que a administração municipal preferia manter na sombra.

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