No momento da comunhão, quando é partilhado com os fiéis o corpo e o sangue de Cristo, realiza-se muito mais do que um rito religioso: trata-se de um alimento para a alma, uma purificação do espírito. Alguns podem enxergar esse ato como algo simbólico ou rotineiro, mas, com todo respeito, é preciso dizer — trata-se de um dos gestos mais sagrados que existem. É a união da alma humana com o divino, em outras palavras, um encontro entre o que é terreno e o que é eterno.
Em outras tradições espirituais, essa mesma conexão acontece de formas diferentes, mas com a mesma essência: alimentar o espírito com a energia mais pura, por meio da oração, do silêncio, da palavra, dos cânticos ou de momentos de meditação profunda. Em suma não importa a forma, mas sim a intenção afinal, quando há sinceridade no coração, o sagrado responde, nós nos abrimos a essa presença, mais a nossa vibração se eleva.
A partir do momento em que você começa a olhar para dentro — para o seu íntimo — e ressignifica tudo aquilo que pesa, aquilo que ainda é fonte de dor, desconforto ou confusão por meio da forma íntima, as coisas começam a fluir de forma mais leve. O que antes era sofrimento, agora se transforma em aprendizado, o que antes era sombra, se revela oportunidade de cura. Vale lembrar que o espírito, quando alimentado, começa a guiar os seus passos com mais sabedoria, afastando o medo e abrindo espaço para a fé, esperança.
Ao escolher alimentar o espírito é bem provável que a verdadeira força não vem de fora, mas sim de dentro, pois a conexão com aquilo que é eterno, invisível aos olhos terreno e claro à alma. É nesse lugar silencioso, dentro de si, que Deus habita — não com imposições, lugar este que nos concede a sensação de amor, compreensão e sentir a presença, nos sentimentos acolhidos e quanto mais você silencia o barulho do mundo, mais consegue escutar a voz do Alto falando ao seu coração, além de reconhecer a sua essência divina transpondo a matéria.
Alimentar-se espiritualmente é lembrar todos os dias que você não está aqui por acaso e que há um propósito maior guiando cada experiência, cada encontro, cada dor e cada cura, além de entender que as batalhas da alma não se vencem apenas com esforço, mas com entrega de corpo e alma. E que nada do que é sagrado se impõe — o sagrado se oferece, se compartilha, se vive por meio da leveza, da clareza de pensamento e nas ações.
Diante de tudo isso, é importante fazer a escolha de nutrir seu espírito com tudo aquilo que eleva: a oração sincera, a gratidão silenciosa, o perdão que liberta, a palavra que acolhe, o silêncio que cura. Essa é a verdadeira comunhão: quando o ser humano se une ao divino dentro de si, e passa a caminhar em paz com a vida, com o outro e consigo mesmo.
Porque, no fim das contas, alimentar o espírito é lembrar que você é mais do que carne e osso — você é luz, feito a semelhança de Deus, mesmo assim em sua imperfeição terrena é capaz de evoluir espiritualmente, como ser humano e toda luz, quando bem alimentada, ilumina caminhos não só para si, mas também para os que estão ao redor e isso, por si só, já é um milagre.
Karol Costa






