A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quarta-feira (7), o médico psiquiatra Eduardo Araújo, que abordou a importância da conscientização sobre a saúde mental, especialmente no contexto do “Janeiro Branco”, que visa chamar a atenção para temas como depressão, ansiedade e outros sofrimentos muitas vezes silenciosos.
“Janeiro é o mês de conscientização sobre saúde mental, escolhido para iniciar o ano com a ideia de que o cuidado com a mente é fundamental. A forma como lidamos com a mente afeta sentimentos, pensamentos, relacionamentos, trabalho e a maneira de encarar inseguranças e medos. O começo do ano, apesar de ser um período de recomeços, pode ser difícil emocionalmente para muitas pessoas devido à ansiedade, tristeza e sobrecarga emocional. As frustrações estão ligadas às expectativas criadas, muitas vezes inatingíveis ou baseadas na comparação com a vida alheia”, pontuou.
Ele revelou que as redes sociais com muitas imagens contribuem para o prejuízo da saúde mental, pois as pessoas criam expectativas irrealistas ao desejar uma vida que veem online. “As redes sociais mostram a vaidade e escondem a verdade, apresentando fragmentos idealizados da vida que não refletem a realidade. Os desafios financeiros (IPTU, IPVA, mensalidades, boletos) e mudanças de vida (escola, novas situações) são realidades que geram ansiedade no início do ano. A incerteza e a falta de retorno dos impostos no Brasil contribuem para altos níveis de ansiedade na população”, disse.
Eduardo Araújo explicou que uma forma de lidar com a realidade e as finanças é essencial enxergar a realidade da vida e, em meio a dificuldades financeiras, estar disposto a “dar passos para trás”, ou seja, reduzir gastos. “Muitas pessoas evitam essa atitude por temerem o julgamento social, o que leva a gastos excessivos e prejuízos. Enfrentar a realidade é saudável; viver uma fantasia adoece”, alertou.
O psiquiatra também falou sobre a diferença entre a tristeza passageira e a depressão. “A tristeza acontece com todos nós, é geralmente passageira, embora possa durar mais em situações como luto ou término de relacionamento. Já a depressão é quando a tristeza se torna disfuncional, impedindo a pessoa de trabalhar, se cuidar, alimentar-se bem e dormir, podendo levar a pensamentos de morte”, argumentou.
Conforme o médico, a depressão em homens se manifesta como uma “implosão” de emoções (falta de prazer, alegria, energia), sem choro aparente, devido à pressão social para não mostrar fragilidade. Buscar ajuda é um sinal de força. “É preciso ressaltar que os sinais de problemas de saúde mental incluem a busca por fugas, como comida, bebida (álcool) e drogas. Essas fugas são uma falta de enfrentamento dos problemas da vida, adiando a resolução da dor”, apontou.
Para ele, as drogas são particularmente cruéis por alterar neurotransmissores cerebrais, dificultando o retorno à normalidade sem ajuda e, por vezes, causando danos permanentes. “A sociedade atual é intolerante à dor, buscando a curtição e a analgesia. No entanto, é nos momentos de dor e dificuldade que mais aprendemos e crescemos, refletindo e repensando a vida. Fugir da dor impede o crescimento pessoal”, concluiu.
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