CAMPO GRANDE, 9 DE JANEIRO DE 2026 — A capital sul-mato-grossense vive um cenário de ebulição política e social. O impasse entre a prefeita Adriane Lopes (PP) e a Câmara Municipal atingiu seu ponto máximo após o encerramento, sem sucesso, das tratativas da comissão especial criada para negociar a cobrança do IPTU 2026. A crise, que já era técnica e financeira, tornou-se uma guerra aberta entre os Poderes Executivo e Legislativo.
Fracasso nas negociações
O vereador Rafael Tavares (PL), presidente da comissão que atuou de plantão durante o recesso, anunciou o fim das conversas com o Paço Municipal. Segundo ele, não houve avanços significativos. A prefeitura apenas cedeu na extensão do prazo para pagamento à vista (até fevereiro), mas manteve a redução do desconto de 20% para 10%, benefício que era garantido aos contribuintes há cerca de duas décadas.
Diante da intransigência do Executivo, Tavares sugeriu ao presidente da Câmara, Papy (PSDB), a convocação de uma sessão extraordinária para a próxima segunda-feira. O objetivo é um só: utilizar o Poder Legislativo para derrubar os decretos da prefeita que autorizaram os aumentos e a mudança na base de cálculo do imposto.
Cobrança de mortos e isentos
Enquanto a batalha política corre nos gabinetes, o contribuinte enfrenta o caos no Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC). Relatos de cobranças indevidas beiram o absurdo:
- Cobrança de falecidos: O advogado Oswaldo Meza denunciou o caso de uma contribuinte que recebeu o carnê em nome da mãe, falecida há sete anos. Mesmo após a transferência do imóvel para as irmãs — que são isentas por lei —, a prefeitura ignorou os registros e emitiu a cobrança.
- Isentos taxados: Idosos e pessoas com deficiência, protegidos pela Lei Complementar 250/2014, formaram filas em busca de explicações após receberem carnês com reajustes que ignoram sua condição legal.
- Aumentos abusivos: Vereadores relatam casos de imóveis com reajustes de até 396%, valores que superam drasticamente o índice oficial divulgado pelo município, de 5,32%.
“Faz sete anos que minha mãe faleceu. Tenho duas irmãs especiais, passei o imóvel para o nome delas e, mesmo assim, a cobrança veio no nome da minha mãe. Eu não tenho condições de pagar”, desabafou uma moradora.
Adriane Lopes enfrenta resistência em múltiplas frentes:
- Judiciário e TCE: A OAB acionou a justiça contra o aumento, e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) exigiu explicações sobre as alterações na Planta Genérica de Valores (PGV), feitas via decreto.
- União Política Inédita: A comissão especial na Câmara uniu vereadores de direita e esquerda (do PL ao PT). Nomes como Luiza Ribeiro (PT), André Salineiro (PL) e Carlão (PSB) articulam decretos legislativos para barrar o que chamam de “injustiça tributária”.
- Sociedade Civil: Entidades como a CDL, o Sindicato dos Engenheiros e o Conselho de Corretores de Imóveis (CRECI/MS) apoiam formalmente o movimento contra o reajuste unilateral.
A pior prefeita do Brasil
O desgaste do IPTU reflete-se diretamente na imagem da gestora. Dados divulgados nesta quinta-feira (8) pelo Instituto Veritá colocam Adriane Lopes na 26ª e última colocação no ranking de prefeitos das capitais brasileiras, com apenas 5,2% de desempenho positivo.
Este é o segundo levantamento que aponta a prefeita como a pior gestora de capital do país; o primeiro foi da AtlasIntel, onde ela registrou 79% de desaprovação. A falta de diálogo com a Câmara, somada à falta de transparência na incorporação da taxa de lixo ao IPTU, parece ter selado o isolamento político da prefeita neste início de 2026.
Próximos passos
A população aguarda a confirmação da sessão extraordinária na segunda-feira. Caso a Câmara consiga derrubar os decretos, a prefeitura sofrerá uma derrota histórica que pode paralisar a arrecadação municipal e aprofundar ainda mais a crise institucional em Campo Grande.
Pesquisa
Adriane Lopes (PP) é a a pior prefeita entre todas as capitais do país, segundo a pesquisa Veritá divulgada nesta quinta-feira (8). De acordo com o levantamento, a prefeita ocupa a 26ª e última colocação no ranking, com desempenho de apenas 5,2%.

A pesquisa ouviu mais de 100 mil pessoas nas capitais brasileiras, sendo que cerca de 30 mil entrevistados responderam integralmente às 77 perguntas do questionário. A margem de erro varia entre 2% e 3%, para mais ou para menos. É o segundo levantamento que mostra Adriane como a pior gestora de Capital do País – o primeiro foi divulgado em 19 de dezembro pela AtlasIntel.





