Entrevista com a chefe de capacitação de doadores do Hemosul, Lucéia Fernandes, no Jornal da Top

Rede Top FM

Nesta terça-feira (20), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou a chefe de capacitação de doadores do Hemosul (Hemoterapia e Hematologia de Mato Grosso do Sul), Lucéia Fernandes, que abordou a entrega da nova unidade móvel de saúde e a contínua necessidade de doações de sangue.

“A unidade móvel visa otimizar e expandir a coleta de sangue, oferecendo uma estrutura mais adequada do que os métodos improvisados anteriormente utilizados em empresas ou no interior. É como um Hemosul dentro de um ônibus grande, equipado para recepção, cadastro, triagem hematológica (“teste do dedinho”), triagem clínica, coleta (com cinco cadeiras) e área de lanche”, resumiu.

Ela destacou que, apesar de completa, a unidade ainda necessita de apoio externo, como espaço com sombra para a parte administrativa, energia e, em campanhas maiores, salas adicionais para suporte. “A agenda da unidade móvel para 2026 já está completa, prevendo uma campanha por mês em 12 municípios, demonstrando a demanda pelo serviço”, informou.

Lucéia Fernandes lembrou que antigamente tinha uma parceria forte com o Exército em que os soldados eram levados para doação em massa, o que também auxiliava na tipagem sanguínea necessária para suas fardas. “Infelizmente, essa parceria de grande escala não existe mais após a pandemia. Atualmente, a presença de soldados no Hemosul é geralmente motivada pela necessidade específica de um paciente que recorre ao Exército”, lamentou.

Na entrevista, a chefe de capacitação de doadores do Hemosul desmente mitos populares como “doar sangue engorda”, “emagrece” ou “dói”. “São apenas mitos, pois a quantidade de sangue retirada é calculada com segurança (baseada em peso e altura) e o organismo repõe rapidamente a parte líquida. A parte sólida (hemácias) leva mais tempo, já que em homens são necessários, no mínimo, 60 dias entre doações, enquanto nas mulheres são, no mínimo, 90 dias devido à perda de sangue no ciclo menstrual”, explicou.

Ela revelou que no fim do semestre anterior os estoques estavam muito críticos, com apenas 50-70 coletas diárias, enquanto o mínimo necessário é de 130-150 para atender à demanda dos hospitais de Campo Grande e do interior. “Anteriormente, períodos como fim de ano ou férias escolares eram vistos como mais difíceis, mas atualmente não há um consenso sobre um período específico; a necessidade é constante”, informou.

Lucéia Fernandes ressaltou que os tipos sanguíneos mais urgentes são o “O +”, sendo a maior porcentagem da população e dos pacientes, e o “O -“, conhecido como “coringa”, pois pode doar para todos os tipos sanguíneos em emergências. “No entanto, o doador O- só pode receber sangue do tipo O -, tornando a sua disponibilidade crucial”, alertou.

A chefe de capacitação de doadores do Hemosul detalhou que o sangue coletado é fracionado em plasma, plaquetas e hemácias, sendo que cada componente tem um tempo de vida útil diferente. “As plaquetas duram apenas 5 dias, exigindo doações regulares e contínuas para manter o estoque, enquanto as hemácias podem ser armazenadas em geladeira por até 42 dias. Já o plasma pode ser congelado e armazenado por um período mais longo”, assegurou.

Conforme ela, o Hemosul, com a ajuda da nova unidade móvel, continua seus esforços para captar doadores. “A necessidade de doação de sangue é urgente e contínua, principalmente devido à curta vida útil das plaquetas e à constante demanda por tipos sanguíneos específicos como O + e O -. A população é encorajada a doar regularmente”, comentou.

Para concluir, Lucéia Fernandes fez um apelo à doação de sangue pela população. “A doação é um ato de empatia e solidariedade, pensando na dor do próximo e na possibilidade de ajudar alguém em necessidade. O sangue não pode ser fabricado e sua disponibilidade depende exclusivamente da atitude de outros. Se todos os indivíduos aptos a doar o fizessem pelo menos duas vezes ao ano, não haveria falta de sangue, é um gesto de ajuda que beneficia a todos, pois um dia qualquer pessoa pode precisar”, finalizou.

Assista a entrevista completa pelo link:

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