Passado um ano da implementação da lei que restringe o uso de aparelhos celulares em salas de aula, o cenário escolar brasileiro começa a desenhar um novo contorno. O que antes era um campo de batalha silencioso entre notificações e explicações pedagógicas, agora dá lugar a um ambiente de maior presença e interação. No Elite Rede de Ensino, a avaliação desse primeiro ciclo é amplamente positiva, revelando que a medida ajudou a reorganizar a rotina e as relações dentro da instituição.
Para quem está na ponta do processo, o estudante, a mudança foi sentida diretamente no rendimento escolar. Davi Reis, 18 anos, aluno do 3º ano do Ensino Médio no Elite, recorda que, antes da restrição, a dispersão era a regra. Ele nota uma diferença clara entre o início de sua trajetória no Ensino Médio e o momento atual.
“Vínhamos de uma geração com excesso de informação, onde qualquer vibração no bolso desviava o foco. Antes, não nos preocupávamos em aprender de verdade, pois achávamos que qualquer dúvida seria resolvida com uma pesquisa rápida no celular. Mas isso não é aprendizado real. Agora, somos levados a ouvir e assimilar o conteúdo de fato”, compartilha Davi.
Essa percepção individual encontra eco nos relatos de gestores e professores da rede. Embora ainda não existam dados estatísticos nacionais consolidados sobre o impacto da lei no Brasil, as observações cotidianas indicam alunos mais atentos, participativos e com maior capacidade de concentração.
O desafio cultural e a parceria com as famílias
A implementação da lei, contudo, não foi isenta de desafios. Segundo Deborah Anastácio, diretora pedagógica do Elite Rede de Ensino, o principal obstáculo foi romper hábitos profundamente incorporados. A distração, em muitos casos, era alimentada involuntariamente pelo próprio ambiente familiar. “Era comum pais enviarem mensagens ou ligarem para os filhos durante o horário de aula”, revela Deborah.
Para reverter esse quadro, a escola apostou em uma comunicação contínua para conscientizar os responsáveis de que a segurança e a comunicação permanente não podem atropelar o tempo de aprendizagem. O objetivo central foi transformar a proibição em uma ação educativa, e não meramente normativa.
Os impactos mais surpreendentes ocorreram fora das salas. Com a redução da mediação constante das telas, o recreio e os intervalos voltaram a ser espaços de “interação real”. Relatos da rede apontam que os alunos voltaram a brincar, conversar, tocar instrumentos e até se dedicar a atividades manuais, como o uso de câmeras fotográficas e livros de colorir, durante o tempo livre.
Davi confirma essa mudança no clima escolar: “Passamos a conversar mais e a nos relacionar de verdade. Fiz amigos que talvez não tivesse conhecido se estivéssemos todos no celular. Os laços deixaram de ser superficiais”. Para a escola, esse movimento reforça seu papel como espaço de convivência e construção coletiva de conhecimento.
Equilíbrio entre inovação e cuidado
A proibição do celular não significa uma separação entre a escola e a tecnologia. Ao contrário, a avaliação dos gestores é que, ao proteger o tempo escolar de estímulos excessivos, a instituição prepara o jovem para usar a tecnologia de forma mais consciente.
Como passo seguinte dessa evolução, o Elite vai implementar, a partir de 2026, o Dia Lab, um currículo de Inteligência Artificial e letramento digital integrado à grade escolar para o Ensino Fundamental Anos Finais. A proposta é ensinar os alunos a criar, questionar e refletir sobre o impacto social das ferramentas digitais, em vez de apenas consumi-las passivamente.
O balanço deste primeiro ano revela que a eficácia das políticas públicas educacionais reside no equilíbrio entre a inovação tecnológica e a preservação do tempo de convivência humana. Segundo Gláucia Sobral, coordenadora da Educação Infantil e do Ensino Fundamental Anos Iniciais do Elite, o sucesso dessa transição passa por entender que a norma isolada não basta sem o suporte pedagógico adequado.
“O principal aprendizado é que políticas educacionais eficazes precisam considerar o cotidiano real das escolas, o desenvolvimento das crianças e o papel formativo da educação. Assim, cabe a todos nós tratar o tema sob a ótica da neuroaprendizagem, garantindo que o uso das ferramentas digitais seja mediado com critério para proteger os espaços de escuta, presença e desenvolvimento emocional dos alunos”, conclui Gláucia.





