No clássico do faroeste Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), um grupo de pistoleiros é contratado para proteger um vilarejo oprimido pela tirania. Seja na versão de 1960, com a icônica trilha de Elmer Bernstein, ou no remake de 2016, o tema é universal: a luta da justiça contra a ganância.
Em 2026, o cenário dessa batalha não é uma vila poeirenta do Velho Oeste, mas o plenário da Câmara Municipal de Campo Grande. A arma em punho? O voto. O vilão da vez? O aumento “explosivo” na Taxa do Lixo e o corte drástico nos descontos do IPTU.
Legislativo vs. Executivo
A tensão política atingiu o ponto de ruptura quando a prefeita Adriane Lopes (PP) vetou o Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26, que suspendia o aumento da taxa de resíduos sólidos. Agora, a bola volta para os vereadores. Eles serão os “Sete Magníficos” que honrarão o mandato popular ou se renderão aos interesses de quem comanda a “mina de ouro” dos cofres públicos?
O clima é de suspense. Para derrubar o veto e aliviar o bolso do cidadão, são necessários 15 votos. O cenário atual é um tabuleiro dividido:
- 14 vereadores já sacaram suas armas em favor da população, declarando-se abertamente contra o veto.
- 7 vereadores — os personagens centrais deste drama — permanecem “em cima do muro”, protegidos pelo silêncio ou pela hesitação.
Os protagonistas
Curiosamente, o destino da capital repousa sobre os ombros de nomes que, neste ano eleitoral, miram voos mais altos rumo à Assembleia Legislativa (ALEMS) e à Câmara Federal.
Os indecisos: Carlão, Clodoilson Pires, Dr. Jamal Salem, Dr. Lívio Leite, Veterinário Francisco, Herculano Borges e Otávio Trad.

O mediador: Papy, Presidente da Câmara, só entra no duelo para o tiro de misericórdia em caso de empate.
Entre a Lei e a Urna
A prefeitura justifica o arrocho alegando que a Câmara tinha ciência do reajuste e que a suspensão da taxa fere a Lei de Responsabilidade Fiscal. Do outro lado, os parlamentares reagem, denunciando um aumento “unilateral e abrupto”, camuflado em decretos sem transparência ou relatórios técnicos.
A grande questão é a coerência. Enquanto nomes como Flávio Cabo Almi e Júnior Coringa bradam que “votar a favor do veto é trair o povo”, o grupo dos indecisos ganha tempo. Eles pesam as razões jurídicas da prefeita em uma mão e, na outra, o impacto devastador de uma decisão impopular em pleno ano de urnas abertas.
No cinema, os heróis sacrificam a própria vida pelo bem comum. Na política de Campo Grande, o medo é o sacrifício do capital político. Se o veto não cair, a “Taxa do Lixo” será o fantasma que assombrará as campanhas até outubro.
O desfecho
O retorno dos trabalhos legislativos, na próxima terça-feira, será o verdadeiro “Duelo ao Sol” da capital sul-mato-grossense. Se a Câmara mantiver a postura e derrubar o veto, a batalha migrará para os tribunais. Se recuarem, a população herdará carnês mais pesados, e a promessa de proteção ao povo ficará restrita à ficção das telas de cinema.
O charme desta narrativa está na busca pela redenção. O povo de Campo Grande assiste, atento, para descobrir quem são os verdadeiros protagonistas desta história — e quem não passa de figurante no teatro do poder.






