IPTU e a Taxa do Lixo serão lembrados na hora de pedir o voto em Campo Grande

Os Vereadores que hoje se escondem atrás de manobras regimentais e audiências públicas protelatórias devem se preparar: em 2026, quem dará o “veto” será o povo.
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Campo Grande, fevereiro de 2026. O cidadão campo-grandense não abre mais o carnê do IPTU com expectativa de investimento, mas com as mãos trêmulas de indignação. O que se vê na Capital Morena não é apenas um reajuste tributário; é um divórcio litigioso entre a classe política e o povo. Enquanto a prefeita Adriane Lopes (PP) tenta equilibrar um caixa sangrando por meio de aumentos que chegam a 396%, a Câmara Municipal assiste a tudo em um misto de letargia e conveniência, ignorando que o calendário é implacável: o título de eleitor é a arma que o contribuinte guardará para outubro de 2026.

A submissão da Câmara Municipal

A atual legislatura caminha a passos largos para ser lembrada como uma das mais omissas da história de Campo Grande. Ao recuar na votação do veto do IPTU e empurrar a decisão para as vésperas do vencimento do imposto, o presidente da Casa, Epaminondas “Papy” (PSDB), assinou um atestado de submissão ao Paço Municipal.

desculpa da “maturidade institucional” para realizar audiências públicas soa como escárnio. O povo não pediu audiência pública; pediu a derrubada do veto. A população não precisa de PowerPoint para saber que o imposto subiu e o serviço do Executivo é de má qualidade. Ao ceder à pressão da prefeita — que tenta jogar no colo dos vereadores a culpa pelo caos financeiro que ela mesma geriu — a Câmara se torna cúmplice de um confisco moderno.

“Esta Casa perdeu hoje uma ótima oportunidade. Não vai demorar para os vereadores terem que mostrar de que lado estão: da injustiça tributária ou da conta da ineficácia administrativa”, desabafou o vereador Maicon Nogueira (PP), sintetizando o sentimento de uma minoria que ainda ousa divergir.

O abismo entre o marketing e a realidade

A estratégia de gestão de Adriane Lopes parece focada em filtros de redes sociais, enquanto o povo clama por uma solução. Os números da arrecadação de janeiro de 2026 são o maior recibo do fracasso: apenas R$ 148,8 milhões arrecadados, uma queda de 51% em relação ao ano anterior. O povo, sufocado, simplesmente não consegue pagar.

O Raio-X do descaso:

  • Saúde em Colapso: Falta de dipirona básica e um sumiço inexplicado de R$ 156 milhões do SUS, que o Conselho Municipal de Saúde tenta rastrear.
  • Folha Secreta: Enquanto o contribuinte perde o desconto de 20% no IPTU, secretários municipais ostentam vencimentos de R$ 91 mil.
  • Calote nos Precatórios: Mais de R$ 42 milhões em dívidas judiciais não pagas em 2025, colocando a prefeitura na mira de uma intervenção estadual.

O MPMS e a “Revolução das Botas”

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) já deu o veredito moral: os aumentos são abusivos, carecem de transparência e ferem o princípio da legalidade por terem sido feitos via decreto, atropelando o Legislativo. Instituições como a OAB, a Associação de Advogados Independentes (AADVI) e o CRECI já se posicionaram. A Justiça é, agora, o último refúgio do cidadão.

Nas ruas, o movimento “Revolução das Botas” e petições de impeachment com milhares de assinaturas mostram que a temperatura subiu. O campo-grandense cansou de ser o caixa eletrônico de uma gestão que gasta mal e cobra caro.

2026: O julgamento final

Mais da metade dos atuais vereadores já se movimenta como pré-candidatos à Assembleia Legislativa (ALEMS) e à Câmara Federal. Eles parecem esquecer que o eleitor que hoje amarga o aumento da Taxa do Lixo e cai em buracos na Avenida Guaicurus — e em tantas outras — é o mesmo que decidirá seus destinos neste ano.

A “vingança” do eleitor não será violenta, mas será silenciosa e definitiva na urna. Campo Grande tem pressa em retomar sua dignidade. Os políticos que hoje se escondem atrás de manobras regimentais e audiências públicas protelatórias devem se preparar: em 2026, quem dará o “veto” será o povo.

Resumo do Cenário

Para as eleições de 2026, mais da metade dos vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande já manifestou interesse em disputar cargos de deputado estadual (Assembleia Legislativa – ALEMS) ou deputado federal. 

Pré-candidatos à Assembleia Legislativa (ALEMS)

  • Marquinhos Trad (PDT)
  • Luiza Ribeiro (PT)
  • Rafael Tavares (PL)
  • Victor Rocha (PSDB)
  • Silvio Pitu (PSDB)
  • Maicon Nogueira (PP)
  • André Salineiro (PL)
  • Ana Portela (PL)
  • Flavio Cabo Almi (PSDB)
  • Veterinário Francisco (União Brasil)
  • Junior Coringa (MDB)
  • Landmark (PT) 

Pré-candidatos à Câmara Federal:

  • Professor Juari (PSDB)
  • Herculano Borges (Republicanos)
  • Dr. Jamal Salém (MDB)
  • Wilson Lands (Avante)
  • Neto Santos (Republicanos) 

Por Antonio Ueno – Ciêntista político

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