O “Céu de Brigadeiro” e o Risco político no Mato Grosso do Sul

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Até pouco tempo atrás, a reeleição de Eduardo Riedel era tratada nos bastidores como uma “fatura liquidada”. Com uma gestão técnica e o apoio de uma robusta base aliada, o governador navegava em águas calmas. No entanto, o cenário mudou. O que parecia um “céu de brigadeiro” começou a apresentar turbulências severas, e o motivo é claro: o engarrafamento humano na disputa pelas duas vagas ao Senado Federal.

O paradoxo da “Direita Unida”

A filiação do Capitão Contar ao PL (mesmo partido de Reinaldo Azambuja) criou um curto-circuito na cabeça do eleitor conservador. A pergunta que ecoa nas ruas é inevitável: como os adversários ferrenhos de 2022, que trocaram ataques pesados no último debate, agora dividem o mesmo palanque? Essa “união forçada” gera desconfiança na direita autêntica e abre flancos para dissidências.

Além disso, o PL vive um dilema matemático. Com quatro pré-candidatos ao Senado (Azambuja, Contar, Pollon e Gianni Nogueira), a conta simplesmente não fecha. Reinaldo Azambuja, agora presidente da legenda, enfrenta o desafio de articular esse tabuleiro sem o seu principal “operador político”, Sergio de Paula, hoje no TCE. A ausência de um articulador desse calibre já começa a ser sentida na temperatura das negociações.

As consequências

A estratégia de Riedel de se afastar do PT pode cobrar um preço alto. É preciso lembrar que a vitória de 2022 no segundo turno só foi possível graças ao apoio petista. Ao ignorar essa base e ver o surgimento da pré-candidatura de Fábio Trad (que já aparece com 17% nas pesquisas), Riedel perde um colchão de votos importante, considerando que o “Lulismo” detém mais de 40% de preferência no estado.

Dois problemas críticos:

  1. Fogo amigo e dissidências: A insatisfação dentro do PL pode empurrar nomes como João Henrique Catan e Marcos Pollon para candidaturas ao Governo por outras legendas, fragmentando ainda mais a base governista.
  2. O fator Campo Grande: A parceria com a prefeita Adriane Lopes (PP) tem se tornado um fardo. Mal avaliada na capital, a gestão municipal pode contaminar a imagem de Riedel no maior colégio eleitoral do estado (30%), dificultando a busca por votos onde eles são mais necessários.

O cenário das urnas

Os números do Instituto Ranking Brasil Inteligência mostram que, embora Riedel lidere com 40%, a proliferação de nomes como Delcídio do Amaral, Jaime Valler e outros pré-candidatos torna a vitória no primeiro turno uma meta cada vez mais distante. No Senado, a briga é de foice: Nelsinho Trad (19,2%)Contar (18%) e Azambuja (16,6%) estão tecnicamente embolados, provando que ninguém cederá espaço facilmente (números do segundo voto na pesquisa registrada).

A janela partidária de março será o divisor de águas. Até lá, o governo Riedel precisará de mais do que bons índices de gestão; precisará de uma engenharia política capaz de pacificar aliados que, no momento, parecem mais interessados em garantir sua própria cadeira do que em assegurar a continuidade do projeto atual na Governadoria. A sorte está lançada.

“Tudo seria mais fácil, se não fosse a dificuldade”, já dizia o Barão de Itararé.

Por Antonio Ueno – Cientista Político

Dados da Pesquisa

Pesquisa com metodologia quantitativa, com a realização de entrevistas pessoais e pelo sistema CAT, utilizando questionário estruturado junto a uma amostra representativa do eleitorado do Estado. Os entrevistados foram selecionados aleatoriamente, respeitando-se as cotas.

Pesquisa registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com os números; BR-06854/2026 e MS-06417/2026, o Instituto Ranking Brasil Inteligência realizou, no período de 1º a 6 de fevereiro deste ano, junto a 2.000 moradores com 16 anos ou mais de idade, em 30 municípios de Mato Grosso do Sul, com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

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