A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quinta-feira (12), a vereadora Luiza Ribeiro (PT), que falou sobre sua trajetória política, o papel da mulher na sociedade e, principalmente, uma crítica contundente à administração municipal, focando nas finanças públicas e na ilegalidade dos aumentos do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e da taxa de lixo.
“Meu pai, um português que militou pela libertação de Angola e Moçambique e depois no Partido Comunista Brasileiro, teve que se refugiar no interior de Mato Grosso devido à perseguição pós-golpe de 64. A família foi protegida, surpreendentemente, por um ícone da direita conservadora, o senador Rachid Saldanha Derzi, estabelecendo uma amizade duradoura apesar das diferenças ideológicas”, revelou.
Ela acrescentou que graças a essas raízes iniciou sua militância aos 16 anos de idade no movimento estudantil secundarista, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e, posteriormente, envolveu-se no sindicalismo, na cultura e no movimento feminista. “A política representa um compromisso com as causas da sociedade, especialmente as mulheres, pois elas são a maioria e enfrentam desafios significativos”, ressaltou.
Luiza Ribeiro citou que um dado alarmante apontou que 49% dos lares em Mato Grosso do Sul são chefiados e sustentados exclusivamente por mulheres, que são as que mais sofrem com os impactos de políticas públicas ineficazes. “Não tem como fechar os olhos para essa realidade”, assegurou.
Administração municipal
A vereadora criticou a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP), ressaltando que ela estaria agindo de forma completamente desalinhada à vontade popular, o que é inconstitucional para um representante do povo, citando a “Folha Secreta”, que são pagamentos ilegais e salários inflacionados para servidores com proximidade política ou institucional com a gestora.
“Apesar dessas questões, Campo Grande tem finanças públicas saudáveis, com uma arrecadação que ultrapassou R$ 9 bilhões em 2025 (referindo-se provavelmente à projeção orçamentária ou ano fiscal anterior), sendo a maior arrecadação histórica do município. A cidade e o Estado estão em crescimento econômico e pleno emprego, o que repercute positivamente na arrecadação de tributos”, pontuou.
Para a parlamentar, a prefeita majorou o IPTU e a taxa de lixo de forma ilegal, utilizando um novo estudo, o PCEI (Perfil Socioeconômico Imobiliário), sem aprovação da Câmara Municipal. “A única majoração legal seria o índice inflacionário de 5,32%. A prefeita publicou um decreto (16.402 em 27 de outubro) e um anexo com o PCEI, mas não enviou o projeto de lei correspondente à Câmara para debate e aprovação, surpreendendo os vereadores com a expedição dos boletos com os novos valores”, revelou.
Ela destacou que os vereadores foram pegos de surpresa. “Houve uma divisão na votação para derrubar o veto da prefeita aos projetos que contestavam os aumentos. Alguns defenderam a manutenção do veto por considerarem a receita da taxa de lixo necessária (o custo do serviço é R$167 milhões/ano, e a taxa cobriria apenas R$70-80 milhões), enquanto outros, como a vereadora, priorizaram a legalidade”, detalhou.
Por isso, conforme Luiza Ribeiro, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e a Primeira Instância já reconheceram a ilegalidade flagrante da cobrança do IPTU e da taxa de lixo. “O mandado de segurança impetrado pela OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil no Estado) suspendeu o aumento excessivo do IPTU, limitando-o à inflação, no entanto, ainda não há uma ação em curso para suspender especificamente o aumento ilegal da taxa do lixo”, lembrou.
A parlamentar informou que o diretório municipal do PT está preparando um mandado de segurança coletivo para contestar a taxa de lixo, com a vereadora auxiliando na elaboração como advogada. Para concluir, Luiza Ribeiro anunciou a pré-candidatura a deputada estadual para fortalecer a representação feminina na Assembleia Legislativa, buscando a reeleição de uma deputada e a eleição de mais uma mulher pela bancada do partido.
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