Apagão: Energisa coleciona recordes de reclamações e revolta moradores em MS

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De bairros nobres a áreas rurais, o cenário é de abandono: alimentos perdidos, aparelhos queimados, isolamento e uma CPI que ainda não conseguiu frear os abusos da concessionária.

Campo Grande, MS – O que deveria ser um serviço essencial tornou-se um pesadelo recorrente para os sul-mato-grossenses. A Energisa, detentora da concessão de energia no Estado, enfrenta uma onda de indignação que une moradores da capital e do interior em um coro único: a falta de respeito com o consumidor. Entre quedas constantes, faturamento suspeito e demora no atendimento, a empresa parece operar em uma voltagem muito abaixo da necessidade da população.

O “Tradicional” descaso

Em Campo Grande, a falta de luz já faz parte do cotidiano de diversos bairros, mas em alguns a situação beira o insustentável. No Lagoa Itatiaia, moradores relatam estar no escuro desde a meia-noite deste dia 19 de fevereiro. A região, situada entre a Lagoa e a Avenida Três Barras, sofre com a interrupção prolongada sem qualquer previsão clara de retorno.

Já no Bairro Flamboyant, na região do Tiradentes, a oscilação de energia tornou-se uma “tradição” indigesta. Na Rua Brasilândia, o barulho de geradores de empresas de internet é o som ambiente oficial, evidenciando que a rede elétrica da Energisa não suporta a demanda ou carece de manutenção básica.

Isolamento e prejuízo

A negligência ganha contornos cruéis na área rural. No Loteamento Santa Cruz do Pontal (saída para Rochedo), a moradora Fabíola Nantes de Souza relata um cenário de guerra: geladeira, freezer e máquina de lavar queimados pelas oscilações.

O caso mais grave envolve sua mãe, uma idosa de 69 anos que cuida de uma criança cardiopata. Sem energia desde o dia 28, a família ficou sem:

  • Água potável (dependente de bomba elétrica);
  • Comunicação (cabos de internet rompidos por galhos não podados);
  • Alimentos (perda total de carnes, leites e queijos).

Mesmo com mais de 50 protocolos abertos, a resposta da Energisa é o silêncio ou a falsa informação de que o serviço foi normalizado.

“A gente não sabe mais a quem recorrer. Eles dizem que mandam equipes, mas nada se resolve”, desabafa Fabíola.

Assembleia Legislativa reage

A baixa qualidade do serviço chegou ao plenário da Assembleia Legislativa (ALEMS). O deputado Paulo Corrêa (PSDB) classificou como “urgente” a tomada de providências, destacando que setores vitais como a avicultura e o turismo em Bonito estão sendo asfixiados pela instabilidade elétrica. Aviários chegam a ficar 9 horas sem luz, colocando em risco a produção estadual.

O presidente da ALEMS, Gerson Claro, e outros parlamentares como Coronel David, também manifestaram repúdio à situação, indicando que a paciência com a concessionária esgotou.

Contas “Infladas” e CPI

Além da falta de luz, a Energisa é alvo de graves denúncias de faturamento indevido. Na CPI da Energisa, o médico Márcio Molinari apresentou provas de que seu consumo saltou inexplicavelmente após a troca do relógio medidor.

  • Medição Energisa: 154 kWh em uma semana.
  • Medição Paralela (Analizador técnico): 22 kWh no mesmo período.

A discrepância de sete vezes o valor real sugere que o erro (ou a má-fé) na medição pode estar atingindo milhares de consumidores. Para investigar essa “caixa preta”, a CPI determinou o envio de 300 relógios para análise técnica na USP de São Carlos.

O outro lado

A Energisa limita-se a respostas protocolares, afirmando que “está enviando equipes” ou “realizando levantamentos”. Enquanto isso, o cidadão sul-mato-grossense segue pagando uma das tarifas mais caras do país para, ironicamente, viver à luz de velas.

Serviço ao Consumidor: Se você é mais uma vítima do descaso, a orientação é registrar a reclamação nos canais oficiais, mas não esquecer do Procon e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), já que os canais internos da empresa parecem ser um beco sem saída.

  • WhatsApp Energisa: (67) 99980-0698
  • App: Energisa ON
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