O cenário político de Mato Grosso do Sul ganha contornos de maior complexidade. Em entrevista à Rede Top FM, o deputado estadual João Henrique Catan (PL) elevou o tom e afastou a ideia de uma “conveniência política” ao reafirmar sua pré-candidatura ao Governo do Estado. O posicionamento surge como um contraponto direto às costuras de cúpula que sinalizam uma aliança entre o PL, PP e o PSDB.
Temperatura Morna
Catan fundamenta sua postura em uma análise crítica da atual relação entre os poderes. Ao classificar a Assembleia Legislativa como um ambiente de “temperatura morna”, o parlamentar se coloca como voz dissidente em uma Casa que, segundo ele, atua em excessiva sintonia com as diretrizes do Executivo.
A retórica de Catan mirou pontos sensíveis da gestão estadual:
- Gestão Fiscal: O deputado questionou o programa “Regularize Já”, sugerindo que a medida reflete um esforço arrecadatório para compensar desequilíbrios financeiros, em oposição à imagem de solidez fiscal veiculada pelo governo.
- Saúde e Infraestrutura: A eficiência das terceirizações na saúde e episódios como a queda da “Ponte do Peixe” foram citados como exemplos de falhas em serviços básicos e fiscalização de obras.
O impasse no PL
O ponto mais agudo da fala de Catan reside na dinâmica interna do PL. O deputado expõe uma sigla dividida: de um lado, a ala que defende a continuidade do apoio ao projeto de reeleição de Riedel; de outro, um grupo que reivindica autonomia e candidatura própria.
“Vou lutar pela candidatura dentro do PL, mas não vou me omitir”, declarou o parlamentar. A sinalização de uma possível migração para o Partido NOVO durante a janela partidária de março deixa de ser apenas uma hipótese para se tornar uma alternativa real de sobrevivência política. Catan aposta no eleitorado que busca uma representatividade de direita mais nítida, sem as composições tradicionais do centro.
Desafiando a unanimidade
A insistência de Catan incomoda por tensionar a narrativa de consenso no estado. Ele argumenta que Campo Grande, responsável por 30% da arrecadação estadual, recebe um retorno desproporcional e levanta suspeitas sobre a engenharia financeira utilizada para o pagamento de obrigações como o 13º salário.
Ao posicionar sua pré-candidatura como competitiva e necessária para um “Novo rumo”, João Henrique Catan coloca a cúpula de seu partido diante de um dilema: assumir o protagonismo eleitoral em MS ou ver uma de suas principais vozes migrar para uma legenda concorrente. Para o cenário político, a postura do deputado sinaliza que a corrida de 2026 não será resolvida apenas em acordos de bastidores.





