Entrevista com Carla Stephanini – Coordenadora da Casa da Mulher Brasileira – MS

​Especial Mês da Mulher: Carla Stephanini destaca avanços e novos desafios no enfrentamento à violência doméstica em Mato Grosso do Sul

A 2ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, iniciou a semana, nesta segunda-feira (2), entrevistando a coordenadora da Casa da Mulher Brasileira Carla Stephanini

​Em entrevista recente ao Jornal da Top, Carla Stephanini, coordenadora estadual da Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande, reforçou a importância das políticas públicas de proteção às mulheres e detalhou os avanços tecnológicos e estruturais implementados no estado para combater a violência doméstica.
​Trajetória de dedicação à causa.


​Com um currículo extenso voltado à gestão pública e direitos das mulheres, Carla Stephanini é advogada, pós-graduada em gênero e relações públicas. Sua trajetória inclui passagens marcantes como a primeira gestora da Pasta da Mulher em Campo Grande, coordenadora de políticas públicas para mulheres em nível estadual e municipal (2005-2010), além de subsecretária estadual e municipal em diferentes períodos. Como vereadora em Campo Grande (2013-2016), foi relatora do Plano Plurianual e primeira Procuradora Especial da Mulher. Desde maio de 2025, ocupa a coordenação estadual da Casa da Mulher Brasileira, onde lidera a gestão compartilhada entre Estado e Município.


Carla destacou a evolução no atendimento através da integração de sistemas entre a Secretaria de Estado de Segurança Pública e o Tribunal de Justiça. O uso do formulário de risco (FONAR) dentro do sistema da Polícia Civil tem sido um divisor de águas, permitindo uma análise precisa do grau de perigo que a vítima corre no momento do registro.

A “Mãe de Todas as Violências”: O ciclo invisível
Ao analisar o aumento dos casos de feminicídio, a coordenadora alertou para as chamadas “microviolências”. Segundo Carla, a violência psicológica — que inclui o desprezo, a desqualificação, o controle excessivo e o tratamento pelo silêncio — é a base sobre a qual se constroem as agressões físicas mais graves. “Ninguém acorda batendo; isso começa lá atrás nas pequenas atitudes”, ressaltou.

O estado ampliou sua capacidade de atendimento com a robustez da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), que funciona 24 horas. Além disso, foram instaladas novas varas de violência doméstica e criado um termo de cooperação para agilizar a entrega de medidas protetivas, com o apoio de oficiais de justiça ad hoc.

​Recomeços: Focado em oferecer suporte para a reorganização da vida da mulher em risco de morte, incluindo auxílio moradia e apoio financeiro.
​Protege: Programa transversal que trabalha a prevenção (educação), o acolhimento (Casa da Mulher Brasileira) e o suporte a órfãos e vítimas secundárias do feminicídio.


​Como buscar ajuda
​Carla reforçou que a rede de proteção no Mato Grosso do Sul está cada vez mais robusta. Para situações de emergência ou orientação, os canais são:
​190: Polícia Militar (emergências e monitoramento de medidas protetivas).
​153: Patrulha Maria da Penha.
​180: Central Nacional de Atendimento à Mulher.
​Assistente Virtual “Vitória” (WhatsApp): (67) 3348-6657, para orientações em tempo real.


​Encerrando a entrevista, a coordenadora anunciou um evento especial em homenagem ao Mês da Mulher, que acontecerá no dia 9 de março, às 14h, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo. O encontro intitulado “Todas diferentes, todas importantes: elas protagonistas” contará com a presença da empresária Luiza Trajano (fundadora do grupo Mulheres do Brasil) e da ex-ministra Cida Gonçalves.
​A Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande está situada na Rua Brasília, sem número, Jardim Mansur.

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