A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quarta-feira (11), a médica Maria Aparecida Albuquerque Arroyo, a “Cida Arroyo”, que é fundadora e presidente da ABREC-MS (Associação Beneficente dos Renais Crônicos de Mato Grosso do Sul), que abordou o Dia Mundial do Rim, destacando a importância da conscientização e prevenção de doenças renais.
“Celebrado em 12 de março, o Dia Mundial do Rim mobiliza instituições de saúde em todo o mundo ao longo do mês para alertar a população sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento das doenças renais. A campanha foi criada pela Sociedade Internacional de Nefrologia em parceria com entidades médicas e centros de diálise e transplante, com o objetivo de ampliar a conscientização sobre um problema de saúde que cresce de forma silenciosa”, explicou.
Conforme ela, neste ano, o tema da campanha é “Cuidar do Rim e do Planeta”, destacando a relação entre a saúde das pessoas e o equilíbrio ambiental, além da necessidade de políticas públicas que garantam acesso universal ao diagnóstico e ao tratamento adequado. “A maioria das doenças renais evolui lentamente e, na maior parte dos casos, não apresenta sintomas nas fases iniciais. O organismo consegue compensar a perda gradual da função dos rins, fazendo com que muitos pacientes descubram o problema apenas em situações mais graves, como infecções, crises de hipertensão, inchaço ou até edema agudo de pulmão”, pontuou.
Cida Arroyou lembrou que entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença renal crônica estão o diabetes e a hipertensão arterial. “Juntas, essas condições são responsáveis por cerca de 70% a 80% dos casos da doença. O controle dessas enfermidades é considerado fundamental para evitar o comprometimento da função renal”, afirmou.
Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de medicamentos, principalmente anti-inflamatórios. “Nefrologistas alertam que o consumo frequente desses remédios pode causar danos importantes aos rins, sobretudo em idosos, diabéticos e hipertensos. Por isso, a recomendação é que o uso seja sempre pontual e com orientação médica”, disse.
A médica lembrou que a automedicação e fatores socioeconômicos também influenciam no avanço da doença. “Estimativas indicam que cerca de 80% dos casos atingem pessoas de menor poder aquisitivo, que muitas vezes não têm acesso ao diagnóstico precoce ou ao acompanhamento médico regular”, argumentou.
De acordo com especialistas, consultas regulares e acompanhamento médico são essenciais, especialmente para pessoas com diabetes ou hipertensão. “Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível retardar a progressão da doença e, em muitos casos, adiar por anos a necessidade de hemodiálise”, falou.
Entre os exames utilizados para identificar alterações nos rins está a dosagem de creatinina no sangue, considerada simples, acessível e capaz de indicar estimativas da função renal. “A recomendação é que o exame seja realizado ao menos uma vez por ano, principalmente por pessoas com fatores de risco”, alertou.
Nos casos mais avançados da doença renal crônica, quando a taxa de filtração dos rins cai para níveis muito baixos, a diálise se torna necessária para garantir a sobrevivência do paciente. “No entanto, o transplante renal é considerado a solução definitiva para muitos desses casos. Em Mato Grosso do Sul, o número de transplantes ainda é considerado baixo. Neste ano, apenas cinco procedimentos haviam sido realizados até o segundo mês, enquanto no ano passado foram registrados 13 transplantes no Estado. Em nível nacional, cerca de 6 mil transplantes renais foram realizados no último ano, número inferior à demanda de pacientes que aguardam na fila”, revelou.
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