Entrevista com o ex-governador André Puccinelli, no Jornal da Top FM

Rede Top FM

Nesta segunda-feira (16), a 2ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou o ex-governador e ex-prefeito de Campo Grande, André Puccinelli (MDB), que afirmou estar trabalhando na reorganização do partido para as eleições deste ano e confirmou a intenção de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).

Durante a entrevista, o emedebista também fez críticas à atual situação administrativa da Capital, comentou episódios de sua trajetória política e anunciou o lançamento de um livro sobre sua gestão à frente da Prefeitura de Campo Grande. “Uma das minhas principais tarefas no partido é estruturar o MDB para o próximo ciclo eleitoral. No entanto, estou tendo dificuldade para ampliar a participação feminina na política, apesar de reconhecer o potencial das mulheres na atividade pública”, disse.

O ex-governador também anunciou o lançamento do livro “Como Administrei Campo Grande: Desafios e Aprendizagem”, previsto para o dia 26 de março, às 19h, na Câmara Municipal de Campo Grande. “A obra será o primeiro de três volumes, sendo que os próximos livros devem trazer bastidores da política sul-mato-grossense, tanto no Legislativo quanto no Executivo”, informou, prometendo revelar episódios pouco conhecidos da vida política do Estado.

Cenário atual da Capital

Ao relembrar o período em que governou a Capital, Puccinelli atribuiu os resultados positivos de sua administração à formação de uma equipe técnica, ao planejamento integrado entre as secretarias e à estratégia de ampliar a arrecadação sem elevar impostos.

Segundo ele, o foco foi combater a sonegação e melhorar a eficiência administrativa. “Eu mantinha diálogo frequente com a população por meio de conselhos comunitários, nos quais explicava as limitações orçamentárias da Prefeitura”, lembrou.

Em contrapartida, o ex-prefeito avaliou que a situação atual de Campo Grande é “muito crítica” e chegou a classificá-la como “inviável”. “A participação do município na divisão do ICMS teria caído de cerca de 22,5% para 11,9%. O comprometimento da folha de pagamento com a Receita Corrente Líquida teria aumentado de aproximadamente 42% para 51%”, citou.

Na avaliação dele, a Prefeitura atualmente depende do apoio do governo estadual até mesmo para garantir contrapartidas em projetos federais. “Para reverter esse quadro, seria necessária uma gestão austera, sem cupinchas eleitorais, além de forte apoio do governo do Estado”, argumentou.

Rivalidade

Puccinelli também comentou a histórica rivalidade política com o ex-governador e agora deputado estadual Zeca do PT. Conforme ele, as disputas eleitorais entre ambos marcaram a política estadual por anos.

“Fui candidato contra o Zeca na disputa pela Prefeitura de Campo Grande e ganhei dele, mas, ele ainda tem dor de cotovelo porque eu ganhei por 411 votos de diferença. Até hoje o Zeca reclama que ganhei roubando a eleição dele. Então, na eleição em que fui candidato à reeleição, ganhei outra vez dele, pois o PT lançou o Ben-Hur e ganhei de lavada deles”, recordou.

Ele ainda completou que depois, na eleição para governador, foi mais uma lavada. “Na minha reeleição a governador contra o próprio Zeca ganhei outra vez, ou seja, está 2×0 para o André Puccinelli, lavada de novo”, afirmou.

Em tom de desafio público, o ex-governador disse ainda que vencerá novamente o adversário em uma eventual disputa no pleito deste ano por uma cadeira na Assembleia Legislativa.

“E, agora, faço um desafio público: Zeca, vou lhe dar 15 mil votos de lambuja no Estado, e, mesmo assim, tenho certeza que farei mais votos que você. E você poderá pedir música no Fantástico, pois será a terceira derrota para mim”, ironizou.

Apesar da rivalidade local com lideranças do PT, Puccinelli afirmou que sempre reconheceu o apoio recebido de governos federais comandados por Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. “Mato Grosso do Sul recebeu recursos importantes durante essas duas gestões”, reconheceu.

Planos eleitorais

O ex-governador confirmou que pretende disputar uma vaga de deputado federal em 2026. Ao mesmo tempo, sinalizou que pode encerrar sua trajetória em cargos executivos, abrindo espaço para familiares na política.

Puccinelli afirmou que espera ver seu filho ou neto ingressarem na vida pública futuramente, possivelmente em disputas para vereador a partir de 2028, em vez de ele próprio voltar a concorrer à prefeitura.

Durante a entrevista, Puccinelli também voltou a comentar sua prisão em 2018, no âmbito da operação que investigou irregularidades em contratos públicos. O ex-governador afirmou que a detenção teve motivação política e ocorreu na véspera das convenções partidárias.

Ele destacou que, até hoje, não houve condenação contra ele em primeira instância. Puccinelli também relatou que seu filho chegou a ser preso por engano e afirmou que o juiz responsável pelo caso acabou afastado após questionamentos sobre suposta perseguição política.

Segundo o ex-governador, os documentos que teriam sido apontados como ocultados eram públicos e já haviam sido entregues anteriormente. Mesmo assim, disse que o episódio deixou mágoas pessoais e políticas.

Assista a entrevista completa pelo link:

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