Entrevista com Nicole Ramos – Nutricionista

A importância da nutrição clínica, tanto no cotidiano quanto em ambientes de alta complexidade hospitalar, foi o tema central da entrevista concedida por Nicole Ramos ao Jornal da Top nesta quinta-feira (19). Com especialização em terapia intensiva e uma trajetória marcada por superações pessoais, a nutricionista destacou os perigos do uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer e o papel vital da alimentação na recuperação de pacientes graves.

Nicole Ramos é nutricionista clínica com especialização em Terapia Intensiva pela residência multiprofissional do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. Atua tanto em ambiente hospitalar, cuidando de pacientes graves, quanto em consultório particular, focando em reabilitação e educação alimentar.

Trajetória: Da Internação à Vocação Hospitalar
A escolha de Nicole pela nutrição não foi por acaso, mas sim fruto de experiências pessoais marcantes. Aos 15 anos, após enfrentar uma pneumonia e anemia decorrentes de dietas restritivas e inadequadas, ela foi internada no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. Foi ali que percebeu a comida como ferramenta de cura.
“Eu associei a minha melhora com a alimentação. Vi que queria cuidar das pessoas através disso”, relatou Nicole. Mais tarde, em 2000, um grave acidente de moto que a deixou em coma e com uso de sondas reafirmou seu propósito: trabalhar com pacientes em estado crítico. “Queria trabalhar com gente que fica doente criticamente, com o paciente grave”, relembrou.

O Perigo das “Canetas de Emagrecimento”
Questionada sobre a moda do momento — o uso de medicamentos como o Monjaro e o Ozempic para perda de peso — a nutricionista fez um alerta rigoroso.

Embora eficazes para obesidade e diabetes, o uso sem acompanhamento médico e a compra de substâncias de procedência duvidosa (como as vindas do Paraguai) representam um risco alto.
“O problema é esse uso indiscriminado, pessoas comprando sem receita. É um risco muito grande porque, como é uma medicação recente, ainda não sabemos todas as consequências futuras para quem não tem indicação clínica”, alertou. Ela enfatizou que nenhum medicamento substitui a mudança no estilo de vida e o equilíbrio alimentar.

A Nutrição como Terapia Intensiva
Com vasta experiência em UTIs e CTIs, Nicole desmistificou o papel do nutricionista em ambientes críticos. Segundo ela, a nutrição é um tratamento complementar essencial: um paciente em ventilação mecânica pode perder quase 1 kg de massa muscular por dia.

“A nutrição ajuda o paciente a sair mais rápido do respirador e melhora sua mobilidade, antecipando a alta”, explicou. Ela também ressaltou a importância do trabalho multidisciplinar, atuando em conjunto com médicos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos para decidir a melhor via de alimentação (oral, sonda ou veia).

Educação Alimentar Infantil

Sobre a alimentação de crianças e adolescentes, Nicole defendeu o conceito de “comida de verdade”. Para ela, o segredo é simples: desembalar menos e descascar mais.
“Arroz, feijão e frutas são excelentes. As crianças precisam de energia, mas precisam de equilíbrio. E nós, adultos, somos o exemplo; não adianta querer que o filho coma saudável se os pais não comem”, pontuou.

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