CAMPO GRANDE (MS) – Em entrevista exclusiva ao Jornal da Top, o engenheiro civil e presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais Forenses de Mato Grosso do Sul (SINPOF-MS), Francisco Orlando Franco Tomás de Almeida, detalhou o cenário atual da perícia criminal no estado. Entre os temas centrais, destacaram-se a evolução tecnológica da polícia científica e o desafio de manter profissionais qualificados diante de uma das menores remunerações do país.
Tecnologia de Ponta no Combate ao Crime Francisco ressaltou que a polícia científica sul-mato-grossense vive um momento de salto tecnológico. Segundo ele, os peritos agora utilizam scanners 3D para levantamentos em locais de crime e contam com laboratórios de DNA equipados com o que há de mais moderno. “Hoje, um copo utilizado por um autor pode ser a chave para desvendar um crime através da coleta de DNA”, afirmou. Ele também mencionou a construção do novo Centro de Ciência, que unificará as diversas áreas da perícia em um único complexo moderno.
Pioneirismo em Condenações de Trânsito Um ponto alto da entrevista foi o destaque dado ao pioneirismo de Mato Grosso do Sul em crimes de trânsito. O estado foi o primeiro da federação a conseguir a condenação em Tribunal de Júri para um caso de racha com morte, fundamentado inteiramente no laudo pericial, que comprovou a materialidade e a dinâmica do crime.
O Desafio da Valorização Salarial Apesar do alto nível técnico — com cerca de 90% dos novos concursados possuindo doutorado —, a categoria enfrenta uma crise de retenção. Francisco revelou que Mato Grosso do Sul ocupa a 24ª posição no ranking salarial nacional entre os 27 estados. “Perdemos profissionais altamente qualificados para outros concursos em pouco tempo de casa, porque o investimento no profissional é alto, mas a remuneração não acompanha o mercado”, alertou o presidente, fazendo um apelo direto ao Governo do Estado pela revisão da carreira.
Independência e a PEC da Polícia Científica No âmbito político-institucional, Almeida discutiu a autonomia da categoria. Atualmente, a perícia em MS funciona de forma híbrida, dentro da estrutura da Polícia Civil, mas com subordinação direta à Secretaria de Segurança Pública. No entanto, há um movimento nacional forte para a aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que inclua a “Polícia Científica” no Artigo 144 da Constituição Federal, garantindo total autonomia e identidade própria ao órgão. A proposta já passou pelo Senado e segue para a Câmara dos Deputados com o apoio da bancada federal sul-mato-grossense.
Conclusão e Contato A entrevista encerrou reforçando a importância do olhar clínico do perito, que enxerga detalhes invisíveis ao leigo e que são fundamentais para o inquérito policial e para o sistema judiciário.
Para saber mais sobre o trabalho do sindicato, os interessados podem acessar o Instagram oficial @sinpofms.








