O cronômetro corre, os corredores da Assembleia Legislativa (ALEMS) fervem e o sentimento nos bastidores é de urgência absoluta. A janela partidária de 2026 entra em sua reta final nesta sexta-feira, 3 de abril, consolidando um cenário onde o cálculo frio substitui a coerência doutrinária.
O “troca-troca” na ALEMS
A sede do Legislativo estadual tornou-se o epicentro de uma metamorfose partidária. O movimento observado não sinaliza mudanças de convicção, mas uma corrida frenética por siglas com maiores fatias do Fundo Eleitoral e chapas que favoreçam o quociente eleitoral.
- A hegemonia do PL: Sob a articulação de lideranças expressivas, o Partido Liberal saltou para o protagonismo absoluto. Com a filiação oficial de nomes como Zé Teixeira, Paulo Corrêa e Mara Caseiro (ex-PSDB), além de Marcio Fernandes (ex-MDB) e Lucas de Lima, a legenda passa a comandar uma bancada robusta de sete cadeiras.
- Esvaziamento: Enquanto os gigantes se expandem, legendas como Podemos e PSB enfrentam o risco real de encerrar o período sem representatividade na Casa. O MDB, outrora uma potência hegemônica, atravessa fase de retração, mantendo apenas Junior Mochi na linha de frente.
- Ascensão: O partido, sob influência de Antônio Vaz, fortalece sua musculatura ao atrair quadros como Renato Câmara e Pedrossian Neto, redesenhando o equilíbrio de forças para o pleito de outubro.
O olhar
Para especialistas, a prática transmuda o mandato em mercadoria. O eleitor escolhe um candidato por suas bandeiras e legenda, mas desperta meses depois vendo o representante em um campo político oposto, movido estritamente por estratégia de sobrevivência.
Brasília em “recesso branco”
O distanciamento entre a atividade parlamentar e o interesse público evidenciou-se com a decisão da Câmara dos Deputados em autorizar votações remotas por três semanas. A medida visa permitir que os parlamentares finalizem as negociações de base em seus estados. Na prática, o trabalho legislativo na capital federal desacelera para que o “mercado das filiações” ganhe tração.
Um exemplo emblemático dessa movimentação é o deputado federal Dagoberto Nogueira, que, após idas e vindas, deve trocar o ninho tucano (PSDB) pelas fileiras do PP.
Sobrevivência acima de tudo
A pergunta que ecoa nos bastidores é: por que os políticos mudam tanto? A resposta fundamenta-se em dois pilares que ignoram propostas de gestão:
- Capilaridade e recursos: A migração foca em partidos que oferecem maior tempo de propaganda em rádio e TV, além de vultosos aportes de campanha.
- Chapas de conveniência: A busca por grupos onde a concorrência interna seja reduzida, garantindo a reeleição mesmo com votações nominais inferiores às de candidatos em partidos mais competitivos.
No contexto de 2026, o “cada um por si” impera. Enquanto deputados federais e estaduais correm contra o relógio, os vereadores — impedidos de mudar de sigla sem justa causa neste ano — assistem de camarote ao rearranjo dos grandes atores.
Até o fechamento do prazo, o eleitorado assiste ao espetáculo das cadeiras musicais. A partir de sábado, os políticos tentarão convencer o cidadão de que tamanha engenharia foi feita em nome do “bem comum”.
Por Antonio Ueno





