Além da experiência gaúcha, Campo Grande, Belém e Florianópolis apresentaram suas ações de resposta
As enchentes no Rio Grande do Sul ensinaram a importância do planejamento para as cidades. Essa é uma das principais conclusões do 4º Encontro Sul do ICLEI Brasil, que termina hoje (30.04) em Porto Alegre, completando três dias de discussões com a presença de gestores públicos, técnicos, pesquisadores e representantes da sociedade civil de todo o país. Eles vieram à capital gaúcha para trocar experiências e debater estratégias para a construção de cidades mais resilientes diante das mudanças climáticas.
Partindo das lições gaúchas, e avançando sobre os desafios de implementação da agenda climática, o segundo dia do fórum destacou caminhos adotados por estados e municípios para estruturar respostas frente aos eventos climáticos extremos.
O diretor-executivo do ICLEI América do Sul Rodrigo Perpétuo enfatizou a importância do evento como espaço de debate entre as cidades sobre como estão se ajustando a um novo cenário, marcado por implicações imediatas das mudanças climáticas. “É preciso que tenhamos cada vez mais espaços coletivos como esse, em que a busca de soluções para a adaptação ao clima seja o objetivo principal. Os eventos que aconteceram no Rio Grande do Sul há dois anos e que tanto afetaram a todos nós, também experimentados na região serrana do Rio de Janeiro, no litoral paulista e tantos outros locais, nos trouxeram lições concretas e que podem orientar outros municípios”, destacou Rodrigo Perpétuo, diretor executivo do ICLEI América do Sul.
Entre os secretários de meio ambiente que participaram do fórum estiveram Juliana Nobre, de Belém, cidade que sediou a COP-30 no ano passado, Thiago Mesquita, secretário de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) de Natal, e o anfitrião Germano Bremm, de Porto Alegre. O evento aconteceu dois anos após o desastre climático que atingiu a capital gaúcha e todo o estado do Rio Grande do Sul.
Juliana defendeu que o processo de adaptação climática considere uma série de ações e iniciativas, inclusive economia circular e soluções baseadas na natureza. “A estratégia e o planejamento para a construção de cidades mais resilientes e sustentáveis podem claramente se beneficiar com o intercâmbio de ideias entre as gestões. Boas iniciativas merecem ser replicadas”, afirmou ela.
Berenice Domingues, da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano, de Campo Grande, também esteve presente, e destacou a necessidade de se integrar os vários espaços das cidades para melhorar a qualidade de vida das pessoas. “Estudos comprovam que essa integração promove mais interação e uma dinâmica saudável, com benefícios a todos que compartilham o ambiente urbano”, atestou ela.
Experiências do RS em destaque
O governo do Rio Grande do Sul trouxe sua experiência na mesa “Financiamento para Adaptação e Resiliência: Caminhos práticos para Governos Subnacionais”. A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura e vice-presidente do Iclei, Marjorie Kauffmann, destacou a perspectiva do Estado do Rio Grande do Sul no acesso a recursos para a agenda climática, compartilhando desafios, aprendizados e estratégias adotadas para estruturar projetos, apoiar os municípios e ampliar a captação de investimentos voltados à adaptação e resiliência.
“O desafio não é apenas acessar recursos, mas estruturar projetos consistentes, com governança e planejamento, que garantam resultados efetivos na adaptação e na resiliência dos territórios. O Rio Grande do Sul vem incorporando a agenda climática de forma transversal, integrando diferentes áreas do governo e trabalhando em conjunto com os municípios para responder de forma mais eficiente aos eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes”, reforçou Marjorie.
Outro destaque do dia foi o painel “Experiências que Transformam: Ações de Mitigação e Adaptação no Sul do Brasil”, que apresentou iniciativas concretas lideradas por governos subnacionais da região. Organizado em blocos, o painel evidenciou como estados e municípios vêm avançando na implementação de soluções em mitigação de emissões, adaptação às mudanças climáticas, gestão de riscos e políticas sustentáveis com potencial de replicabilidade.
Encerrando a programação, o painel “Planejamento Urbano como Eixo Estratégico da Ação Climática: A Experiência de Porto Alegre” apresentou como o município vem integrando planejamento urbano e ação climática em respostas de médio e longo prazo. A iniciativa evidenciou avanços na incorporação da agenda climática ao planejamento territorial, incluindo estratégias de uso do solo, qualificação da infraestrutura urbana e fortalecimento da gestão de riscos.
Além dos painéis, um momento solene de entrega do Selo TAP Brasil prestigiou projetos premiados da Região Sul, reconhecendo iniciativas de destaque na agenda climática. Entre os participantes, esteve Victor Ybarzo, engenheiro sanitarista e ambiental da Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Florianópolis.
Secretários de meio ambiente das capitais brasileiras e do Distrito Federal também participaram da programação, realizada em paralelo com o 2º Encontro Nacional do Fórum CB27.





