A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quinta-feira (14), o vereador Flávio Cabo Almi (PSDB), que tratou sobre a crise administrativa e ética na Prefeitura Municipal, especificamente após uma operação policial na Secretaria de Obras e as implicações de um possível processo de impeachment contra a prefeita Adriane Lopes (PP).
“Estou insatisfeito com a atual situação de Campo Grande e defendo cautela diante das discussões sobre um possível pedido de impeachment da prefeita Adriane Lopes”, declarou, completando que é pré-candidato a deputado estadual nas eleições de 2026 e comentou seu posicionamento político e ideológico.
Segundo o vereador, a população da Capital vive um cenário de frustração diante de problemas considerados antigos, como buracos nas ruas, falhas no sistema de saúde e dificuldades na infraestrutura urbana. “As recentes operações de investigação envolvendo a administração municipal eram necessárias e aconteceram de forma tardia”, ressaltou.
Flávio Cabo Almi afirmou que não se considera oposição radical nem aliado incondicional da prefeitura. “O apoio às pautas do Executivo depende do impacto para a população, tento que votei contra medidas como o aumento do IPTU e processos de terceirização da saúde por entender que não houve melhorias concretas na cidade”, argumentou.
Ao comentar a possibilidade de impeachment da prefeita, o parlamentar disse que o tema exige responsabilidade e equilíbrio institucional. “Lembro do caso do ex-prefeito Alcides Bernal, cassado pela Câmara Municipal e posteriormente reconduzido ao cargo pela Justiça, episódio que gerou instabilidade política e desarmonia entre os poderes”, assegurou.
Na avaliação do vereador, cabe à Justiça investigar, responsabilizar os envolvidos e recuperar recursos públicos eventualmente desviados. “Já a Câmara Municipal deve atuar principalmente na fiscalização e no encaminhamento das denúncias aos órgãos competentes, como o Ministério Público”, comentou.
Flávio Cabo Almi demonstrou preocupação com a possibilidade de uma eventual cassação ser revertida judicialmente, o que, segundo ele, poderia desgastar ainda mais o Legislativo e ampliar a crise política em Campo Grande.
O parlamentar também mencionou a paralisação de setores da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) após prisões relacionadas às investigações, alertando para riscos em obras paradas e problemas estruturais em períodos de chuva forte.
Para o vereador, o principal problema da Capital não é falta de dinheiro, mas deficiência de gestão pública. “Campo Grande tem arrecadação elevada e recebe recursos federais significativos, porém enfrenta dificuldades administrativas. Uma gestão eficiente exige cortes de privilégios e de gastos considerados desnecessários para priorizar áreas essenciais”, disse.
O parlamentar reconheceu que parte do orçamento municipal está comprometida com folha salarial e dívidas herdadas de administrações anteriores, além do desgaste de uma infraestrutura antiga, como o asfalto com mais de 40 anos em algumas regiões da cidade.
Durante a entrevista, Flávio Cabo Almi confirmou que é pré-candidato a deputado estadual em 2026 e afirmou que pretende dar continuidade ao legado político de seu pai, o já falecido deputado estadual Cabo Almi (PT), destacando obras e emendas que seguem sendo entregues em municípios do interior de Mato Grosso do Sul, como Deodápolis e a região de Lagoa Bonita, além da Estrada Parque de Piraputanga.
Sobre sua trajetória partidária, o vereador explicou que deixou o PT antes de exercer mandato eletivo pela sigla. Segundo ele, a decisão foi motivada pela percepção de que o partido não valorizou o potencial político de seu pai para disputar a Prefeitura de Campo Grande. “Posteriormente, me filiei ao Podemos, partido pelo qual disputei vaga para deputado federal e obtive quase 27 mil votos”, recordou.
Flávio Cabo Almi se definiu como um político de “centro-direita” e afirmou defender políticas assistenciais para pessoas em situação de vulnerabilidade, mas criticou o uso do assistencialismo como ferramenta política. “Sou contrário a um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendo a renovação política no país”, declarou.
Ao encerrar a entrevista, o parlamentar afirmou que sua atuação política busca garantir melhorias para Campo Grande, especialmente na saúde e infraestrutura. “Espero que a prefeita consiga reverter a atual situação administrativa da cidade. As instituições devem cumprir seus papéis e os responsáveis por eventuais irregularidades devem responder pelos atos, sem que a população seja prejudicada”, concluiu.
Assista a entrevista completa pelo link:







