Cineasta lança convocatória para reunir histórias dos antigos cinemas de rua de Mato Grosso do Sul

Durante palestra nesta quinta-feira, a cineasta Marineti Pinheiro, por meio da Sonhares Filmes, lança uma convocatória para que o público compartilhe boas histórias e memórias relacionadas aos antigos cinemas de rua de Mato Grosso do Sul. Antes da popularização da televisão, diversas cidades do estado contavam com suas próprias salas de exibição, os chamados “cinemões antigos”, que marcaram gerações.

“As salas de cinema de rua fazem parte da memória afetiva de milhares de sul-mato-grossenses. Mais do que locais de exibição de filmes, foram espaços de encontro, convivência, lazer e construção de lembranças que atravessam gerações. Queremos reunir e preservar essas histórias”, comenta a cineasta.

Os relatos podem trazer experiências vividas pelos próprios participantes ou por familiares: uma sessão inesquecível, um primeiro encontro, uma amizade, uma curiosidade ou qualquer lembrança marcante relacionada aos antigos cinemas. A convocatória também é um convite para que as pessoas abram suas “caixinhas de recordações” e procurem fotografias, vídeos ou outros registros desses espaços.

A iniciativa dá continuidade ao trabalho de pesquisa desenvolvido por Marineti Pinheiro em dois livros publicados pela Editora da UFMS. O primeiro, “Salas de Sonhos – Histórias dos Cinemas de Campo Grande” (2008), reúne depoimentos de pessoas que vivenciaram esses espaços, como a professora Glorinha, o cineasta Cândido Alberto da Fonseca, o advogado e cinéfilo João José, os irmãos Abboud e Bernardo Lahdo, entre outros personagens ligados à história das salas de exibição da capital.

No segundo livro, “Salas de Sonhos II – Memórias dos Cinemas de Mato Grosso do Sul” (2010), Marinete percorreu o estado em busca das histórias dos antigos cinemas. A pesquisa passou por mais de 30 cidades, entre elas Aral Moreira, Amambai, Corumbá, Coxim e Miranda, reunindo relatos de pessoas comuns que viveram a experiência desses espaços, muitos dos quais desapareceram da paisagem urbana ou foram transformados em igrejas, lojas e outros estabelecimentos.

As novas histórias reunidas irão compor um grande mosaico da memória dos cinemas de rua de Mato Grosso do Sul, contribuindo para a preservação desse importante patrimônio histórico, cultural e afetivo, e se transformando em mais um livro. 

Os relatos podem ser enviados por meio do formulário da convocatória.  https://forms.gle/mvYKszJkWQZCWwxR9

Mais informações podem ser obtidas pelo Instagram da Sonhares Filmes https://www.instagram.com/sonhares_filmes ou pelo telefone (67) 99272-2906.

Sobre Marineti Pinheiro

Marineti Pinheiro é cineasta, documentarista, jornalista e escritora. Formou-se em Documentário pela Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños, em Cuba, e é mestre em Cinema Latino-Americano e Caribenho pela Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano e pelo Instituto Superior de Arte, também em Cuba.

Em 2024, foi reconhecida pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) como a personalidade mais importante de Mato Grosso do Sul no âmbito do cinema e do audiovisual.

Como jornalista e pesquisadora, publicou os primeiros livros dedicados à história dos cinemas de Mato Grosso do Sul: “Salas de Sonhos – Histórias dos Cinemas de Campo Grande” (2008) e “Salas de Sonhos II – Memórias dos Cinemas de Mato Grosso do Sul” (2010).

Entre 2015 e 2022, coordenou o Museu da Imagem e do Som de Mato Grosso do Sul (MIS-MS), onde realizou mostras de cinema, exposições fotográficas, cursos e ações de preservação da memória audiovisual. Entre os projetos desenvolvidos está “MS 40 Anos em Histórias Cinematográficas”, que recebeu, em 2019, o Prêmio Darcy Ribeiro, concedido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), na categoria Ação Educativa em Espaço de Museu.

Dirigiu mais de 20 filmes entre curtas, médias e longas-metragens, entre eles “A Dama do Rasqueado – Delinha” (2017), premiado na Mostra Nacional Sesc de Cinema e eleito Melhor Filme pelo Júri Popular no Bonito CineSur 2023; “Beth e Betinha” (2019); “Ano que Vem Tem Mais” (2021); “A Mágica da Foto Lambe-Lambe” (2023); “Sidrolândia 70 Anos”, “Kuñangue 18 Anos” e “Entre Rios a Rio Brilhante” (2024); e “A Campo Grande de Roberto Higa” (2025).

É diretora da Sonhares Filmes, empresa que atua nas áreas de cinema, audiovisual e música. Também dirige videoclipes, entre eles “Che Machu Mandu’akuemi”, da cantora Anarandà, premiado internacionalmente em 2024.

Marineti integra o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, ocupando a cadeira de Hércules Florence, e é idealizadora e coordenadora dos festivais Cine Aves e Um País Chamado Fronteira, realizado entre Ponta Porã, no Brasil, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

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