Governo e exportadores avaliam que não há espaço para reversão imediata da decisão da União Europeia, enquanto cadeia de aves tem perspectiva mais favorável
O Brasil não trabalha com uma reversão rápida da decisão da União Europeia que retirou o país da lista de fornecedores de carnes e produtos de origem animal ao bloco. A avaliação de pessoas ligadas às negociações é de que a situação mais delicada hoje está na carne bovina, que pode continuar fora do mercado europeu ao menos até o fim deste ano, com possibilidade de o impasse avançar até 2027.
A nova lista entra em vigor em 3 de setembro. Embora o comitê executivo da União Europeia se reúna nesta quinta-feira, 9, para tratar de temas sanitários e de importação, a volta do Brasil à relação de países autorizados não deve entrar na pauta. O principal entrave é que o bloco europeu cobra novas garantias sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal, e o governo brasileiro ainda não se considera pronto para assegurar integralmente o atendimento às exigências.
No caso da carne de aves e subprodutos, o cenário é mais positivo. Como o ciclo produtivo é mais curto, a expectativa é de que os novos protocolos adotados desde 1º de julho possam ser reavaliados em cerca de um mês. A estratégia é tentar submeter os controles da cadeia avícola em meados de agosto e buscar uma reunião extraordinária para revisar a situação. Já na pecuária bovina, o problema é maior porque o ciclo completo do animal leva de dois a três anos, o que amplia o prazo para qualquer nova análise.
A exclusão do Brasil atinge cadeias como carne bovina, frango, peixes, ovos e mel. Segundo o texto, o país exporta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas para a União Europeia. O receio do setor é perder espaço em um mercado considerado importante pela remuneração mais alta, justamente em um momento em que o bloco exige prova de que a produção brasileira atende às regras sobre antimicrobianos.





