Nesta segunda-feira (20), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, iniciou a semana, entrevistando o deputado federal Dagoberto Nogueira (PP), que abordou sua atuação parlamentar, as prioridades para o Estado e sua posição em relação à “Operação Gutenberg”.
Em busca da reeleição para a Câmara dos Deputados, ele afirmou que pretende levar à campanha eleitoral um mandato baseado na captação de recursos para Mato Grosso do Sul, na defesa do desenvolvimento regional e em projetos sociais voltados principalmente para mulheres, educação e trabalhadores.
Advogado e administrador de empresas, o parlamentar avalia que sua principal missão como deputado é direcionar esforços para atender a população mais vulnerável. “Quem tem condições financeiras consegue resolver grande parte dos seus problemas. O nosso trabalho é estender a mão para quem mais precisa”, afirmou.
Segundo Dagoberto, uma das principais marcas de sua atuação foi a articulação de recursos federais para municípios sul-mato-grossenses. “Ao longo do meu mandato, ampliei significativamente minha base de apoio entre prefeitos. Comecei o mandato com apoio de seis prefeitos e hoje tenho 32. Isso aconteceu porque conseguimos levar recursos para as cidades. O prefeito precisa apresentar bons projetos para conseguir acessar esses investimentos”, disse.
Na avaliação do parlamentar, Mato Grosso do Sul precisa adotar uma estratégia de desenvolvimento regionalizada, respeitando as características econômicas de cada região. “Como exemplo, temos os municípios de Três Lagoas, Coxim, Jardim e Porto Murtinho, que possuem vocações distintas e, por isso, exigem políticas públicas específicas”, destacou.
Dagoberto também relembrou sua passagem pela Secretaria Estadual de Produção, período em que afirma ter participado da atração de grandes investimentos privados para o Estado. “Durante minha gestão houve expansão do setor sucroenergético, com o aumento do número de usinas de açúcar e etanol, além da implantação da primeira indústria de celulose em Mato Grosso do Sul”, recordou.
O deputado federal afirma que a chegada do setor florestal transformou economicamente regiões antes marcadas apenas pela pecuária extensiva, especialmente em municípios como Ribas do Rio Pardo e Água Clara. “Áreas de solo arenoso, que geravam pouca arrecadação e poucos empregos, passaram a receber investimentos em eucalipto e celulose, criando milhares de postos de trabalho e aumentando a arrecadação municipal”, afirmou.
Outro tema defendido pelo parlamentar é a revisão da legislação ambiental estadual relacionada à Bacia do Rio Paraguai. “A atual legislação restringe a instalação de indústrias pesadas em áreas que, embora pertençam geograficamente à bacia hidrográfica, não fazem parte do bioma Pantanal”, assegurou.
Na avaliação dele, a modernização dessas regras permitiria ampliar investimentos industriais sem comprometer a preservação ambiental. O deputado também apontou a Rota Bioceânica como uma das principais oportunidades econômicas para Mato Grosso do Sul, especialmente para municípios da região sudoeste, como Jardim e Porto Murtinho.
Além disso, destacou que a redução da arrecadação proveniente do gás natural boliviano exige novas alternativas para fortalecer a economia estadual. “A participação dessa receita caiu significativamente após a retomada da produção nacional de gás, diminuindo os repasses aos municípios”, lamentou.
Operação Gutenberg
Durante a entrevista, Dagoberto também comentou sua citação na investigação da Operação Gutenberg, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que apura um suposto esquema de fraudes envolvendo a comercialização de livros para prefeituras.
O deputado negou qualquer participação nas irregularidades investigadas. Conforme ele, seu nome apareceu apenas em uma interceptação telefônica na qual uma pessoa afirma que iria procurá-lo, sem que tenha havido qualquer contato ou atuação de sua parte.
“Nunca conversei com os prefeitos para tratar da compra de livros. Nenhum prefeito ligado ao meu grupo participou desse tipo de negociação”, afirmou, classificando como injusta a divulgação de seu nome durante o período pré-eleitoral e que situações semelhantes já ocorreram em outras campanhas, quando acabou sendo posteriormente inocentado.
O parlamentar também criticou o vazamento de informações sigilosas de investigações, defendendo que integrantes do Ministério Público respondam pessoalmente quando houver divulgação indevida ou inclusão equivocada de pessoas em procedimentos investigativos.
Apesar das críticas, afirmou confiar que os fatos serão esclarecidos e reiterou que continuará defendendo sua atuação parlamentar. “Jamais vou envergonhar quem confiou em mim. Sempre trabalhei com dedicação para ajudar Mato Grosso do Sul e principalmente aqueles que mais precisam”, concluiu.
Assista a entrevista completa pelo link:










