Desempenho reduz as perdas acumuladas no primeiro semestre e confirma uma mudança na pauta exportadora brasileira, impulsionada pelo avanço dos quartzitos.
Vitória (ES), 20 de julho de 2026 – O setor brasileiro de rochas naturais encerrou o primeiro semestre de 2026 com US$ 711,1 milhões em exportações, resultado 4,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). Apesar do acumulado ainda negativo, o desempenho ao longo do segundo trimestre reduziu significativamente as perdas observadas no início do ano, culminando em junho, que registrou o maior faturamento mensal da história do setor, com US$ 165,2 milhões exportados, alta de 34,1% em relação ao mesmo mês de 2025.
O desempenho do semestre revela uma mudança importante na composição das exportações brasileiras. Os quartzitos passaram a responder por 60,3% do faturamento do setor, alcançando US$ 428,5 milhões, crescimento de 6,7% em relação ao primeiro semestre de 2025 e novo recorde para o segmento. Em contrapartida, materiais tradicionais registraram retração, como granito (-18,4%), mármore (-26,7%) e ardósia (-7,0%).
A consolidação dos quartzitos reflete uma transformação observada no mercado internacional nos últimos anos. Impulsionado pela evolução das tecnologias de beneficiamento e pela crescente demanda por materiais naturais de alto desempenho, o produto brasileiro tornou-se um dos mais valorizados em projetos de arquitetura, design e construção de alto padrão. O Brasil reúne uma vantagem competitiva única ao concentrar algumas das maiores reservas e uma das maiores diversidades comerciais de quartzitos do mundo.
Para o presidente da Centrorochas, Tales Machado, o avanço desse material evidencia a capacidade da indústria brasileira de transformar sua geodiversidade em vantagem competitiva. “O Brasil possui mais de 1.200 variedades de rochas naturais e essa diversidade tem permitido ao setor responder rapidamente às mudanças da demanda internacional. O crescimento dos quartzitos demonstra nossa capacidade de desenvolver mercados para produtos de maior valor agregado, sem deixar de investir na ampliação das oportunidades para outros minerais, como a ardósia”, afirma.
Essa estratégia já se traduz em novas ações de inteligência comercial. Por meio do projeto setorial It’s Natural – Brazilian Natural Stone, desenvolvido pela Centrorochas em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a entidade apresentou neste mês um estudo inédito sobre o mercado francês de ardósias. A iniciativa busca ampliar a participação brasileira na França, hoje o maior mercado consumidor mundial de rochas naturais para cobertura, onde o Brasil ainda ocupa a sexta posição entre os fornecedores.
China amplia protagonismo, EUA mantêm liderança
Os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações brasileiras, respondendo por 51,2% das vendas externas, com US$ 364,3 milhões, embora tenham reduzido suas compras em 14,4%. Em contrapartida, a China ampliou em 32,8% suas importações, alcançando US$ 147,7 milhões, consolidando-se como principal mercado em expansão para as rochas brasileiras.
No segmento de rochas brutas, além do crescimento da China (+34,6%), mercados como Índia (+23,3%) e Polônia (+33,7%) registraram recordes de importação de blocos brasileiros, sinalizando novas oportunidades para ampliar gradualmente a presença internacional da indústria nacional.
A agenda de internacionalização segue no segundo semestre. Em agosto, durante a Cachoeiro Stone Fair 2026, o projeto setorial It’s Natural – Brazilian Natural Stone promoverá uma rodada de negócios com cinco compradores da Índia, México (dois compradores), Polônia e Emirados Árabes Unidos e pelo menos 15 empresas brasileiras do setor. A iniciativa integra a estratégia de ampliar oportunidades comerciais, fortalecer mercados já consolidados e acelerar a inserção das rochas naturais brasileiras em novos destinos.





