Simone Tebet: de prefeita de Três Lagoas a ministra do Planejamento e Orçamento

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Com 53 anos de idade completos, dos quais quase a metade destinada à vida política, Simone Nassar Tebet é uma estrela em ascensão dentro do MDB, onde iniciou sua carreira política em 2002 ao ser eleita deputada estadual com 25.251 votos.

Filha do renomado político Ramez Tebet, senador e ex-presidente do Congresso Nacional falecido em 2006, e da filantropa Fairte Nassar Tebet, ambos filhos de imigrantes libaneses radicados em Mato Grosso do Sul, Simone Tebet deu trabalho nas eleições presidenciais do ano passado, tanto que, neste ano, foi escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ser a ministra de Planejamento e Orçamento.

Uma trajetória de sucesso na carreira política, mas que começou a ser traçada com a formatura dela em Direito pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), seguida pela especialização em Ciência do Direito pela Escola Superior de Magistratura e pelo mestrado em Direito do Estado pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Ela começou sua carreira no Direito lecionando em universidades no ano de 1992, tendo trabalhado na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), na UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal) e FIC (Faculdades Integradas de Campo Grande).

De 1995 a 1997, Simone Tebet foi consultora técnica jurídica da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e diretora técnica legislativa entre 1997 e 2001. Cargos que acabaram por acender nela a paixão pela política, tanto que, no ano seguinte, foi eleita deputada estadual e, três anos depois, em 2005, assumiu a Prefeitura de Três Lagoas, após ganhar as eleições municipais de 2004, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo no município.

Durante o primeiro mandato, manteve o forte movimento de industrialização da cidade, iniciado pelo seu antecessor Issam Fares. Em fevereiro de 2006, os investimentos privados na expansão industrial de Três Lagoas somavam R$ 1,1 bilhão, sendo que o principal investimento privado atraído para a cidade foi a fábrica da International Paper, inaugurada em 2009 e cujo investimento foi de US$ 300 milhões.

Nas eleições municipais de 2008, Simone Tebet reelegeu-se para o posto com mais de 75% dos votos e, dois anos depois, assumiu o cargo de vice-governadora de Mato Grosso do Sul. Em 31 de março de 2010, renunciou à Prefeitura para compor a chapa de André Puccinelli na eleição para governador de Mato Grosso do Sul, na condição de candidata a vice-governadora.

Vitoriosa, tornou-se a primeira mulher vice-governadora do Estado e, entre abril de 2013 e janeiro de 2014, Simone Tebet chefiou a Secretaria Estadual de Governo. Porém, nas eleições parlamentares de 2014, candidatou-se ao cargo de senadora por Mato Grosso do Sul, sendo eleita em 5 de outubro.

Ela foi empossada como senadora em 1º de fevereiro de 2015 e, em abril de 2018, foi escolhida líder da bancada do MDB no Senado Federal, a maior naquela casa. Tebet ficou no cargo até janeiro de 2019, sendo que nas eleições de 2018, após a prisão do então candidato ao Governo do Estado, André Puccinelli, Simone foi indicada candidata a governadora, porém, desistiu da disputa por questões familiares.

Simone Tebet foi, ainda, diretora de assuntos municipalistas da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul) e membro do Conselho de Representação do Centro-Oeste da CNM (Confederação Nacional dos Municípios). Em 2019, foi eleita presidente da CCJC (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), a mais importante do Senado Federal, tornando-se a primeira mulher a presidir o colegiado.

A indicação de Simone para a presidência da comissão foi bem aceita pelos colegas senadores, além de ter agradado ao Palácio do Planalto. Em janeiro de 2021, foi indicada pelo seu partido para disputar a Presidência do Senado, entretanto, o MDB, sigla a qual Tebet é filiada, desistiu do lançamento da senadora para concorrer ao cargo, após sinalização do candidato adversário, Rodrigo Pacheco, para que a legenda ocupasse cargo de destaque na mesa diretora.

Dessa maneira, a candidatura de Tebet passou a ser independente e, em 1º de fevereiro de 2021, Rodrigo Pacheco foi eleito presidente do Senado, com votos de 57 senadores, Tebet obteve 21, se posicionando em segundo lugar. Durante seus primeiros anos no Senado Federal, Tebet figurou como representante da bancada ruralista e intercessora do agronegócio, sendo contrária à demarcação de terras indígenas em áreas de conflito.

Um relatório do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) publicado em setembro de 2018 listou Tebet entre os 50 parlamentares que mais atuaram contra os direitos indígenas no Congresso Nacional. Em 2021, conquistou visibilidade nacional ao integrar a CPI da Covid-19 e fazer duras críticas ao governo Jair Bolsonaro acerca da condução da pandemia no país, o que resultou em um distanciamento de sua base política conservadora.

Em 2023, ela foi eleita uma das “100 mulheres mais inspiradoras e influentes do mundo” pela BBC, sendo candidata à presidência do Brasil nas eleições do mesmo ano, em que apresentou uma campanha centrista e social liberal, no chamado “Centro Democrático”. Ficou em 3º lugar no primeiro turno, com 4,16% dos votos (aproximadamente 5 milhões de votos). Foi escolhida para o cargo de ministra do Planejamento e Orçamento pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem Tebet havia apoiado no segundo turno.

Na cerimônia de posse no Ministério do Planejamento e Orçamento, no dia 5 de janeiro de 2023, no Palácio do Planalto, Simone Tebet afirmou que estava com dificuldade de contratar mulheres pretas para trabalhar na pasta. A promessa da ex-senadora é de uma composição ministerial com diversidade racial e de gênero.

“Acho que a gente tem que prezar acima de tudo pela diversidade. Estou indo para uma pasta que hoje ainda é extremamente masculina. Quero não só ter mulheres, mas mulheres pretas. E a gente sabe, lamentavelmente, que mulheres pretas normalmente são arrimo de família. Trazer de fora de Brasília é muito difícil. Enquanto eu não tiver esse mapa bonitinho, eu não quero anunciar. Eu faço questão que o ministério dentro do possível tenha de alguma forma a cara do Brasil, que é diversidade”, disse na época

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