18 anos da Lei do Piso: celebrar uma conquista e renovar a luta pela valorização do magistério

Neste mês celebramos os 18 anos da Lei nº 11.738, promulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 16 de julho de 2008, que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério. Fruto de uma intensa mobilização das trabalhadoras e dos trabalhadores em educação, a legislação representou um marco histórico ao estabelecer um valor mínimo nacional para a remuneração dos profissionais do magistério da educação básica pública.

A Lei do Piso nasceu da mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras em educação e representou um marco histórico ao estabelecer que todo profissional do magistério da educação básica pública tem direito a um salário mínimo nacional, independentemente do estado ou município em que atua. Antes dela, as desigualdades salariais eram ainda maiores, e milhares de educadores recebiam remunerações incompatíveis com a importância social da profissão.

Mas é preciso compreender que a Lei do Piso nunca tratou apenas de salário. Ela foi construída sobre três pilares essenciais para a valorização da carreira docente: remuneração digna, jornada de trabalho adequada e planos de carreira estruturados. Esses três elementos caminham juntos e são indispensáveis para garantir uma educação pública de qualidade.

O piso salarial representa um avanço civilizatório. Ele estabelece um patamar mínimo de valorização que deve ser respeitado por todos os gestores públicos. Nenhum estado ou município pode considerar o pagamento do piso como um favor ou uma concessão. Trata-se de uma obrigação legal e de um compromisso com a educação pública brasileira.

Ao mesmo tempo, é importante destacar que pagar o piso não significa valorizar plenamente o magistério. O piso é apenas o começo. É o ponto de partida para a construção de carreiras sólidas, capazes de reconhecer a formação, a experiência, a dedicação e o tempo de serviço dos profissionais da educação.

Aqui em Mato Grosso do Sul, essa reflexão é especialmente necessária. É fundamental que gestores e gestoras compreendam que a valorização profissional não termina quando o piso é pago. É preciso investir em planos de carreira que assegurem progressão, incentivo à formação continuada, respeito à jornada prevista em lei e melhores condições de trabalho para quem está diariamente nas escolas.

Valorizar o magistério é investir diretamente na aprendizagem dos estudantes. Não existe educação de qualidade sem profissionais valorizados. As professoras e os professores são responsáveis por formar cidadãos e cidadãs, desenvolver pensamento crítico, fortalecer a democracia e construir uma sociedade mais justa, solidária e igualitária.

Quando a carreira docente é fortalecida, toda a sociedade ganha. Escolas mais estruturadas, profissionais motivados e políticas públicas permanentes refletem diretamente na qualidade do ensino oferecido às crianças, adolescentes, jovens e adultos.

Os 18 anos da Lei do Piso também nos lembram que nenhuma conquista acontece por acaso. Esse direito foi resultado de décadas de mobilização do movimento sindical, das entidades representativas e de milhares de educadores que compreenderam que somente a organização coletiva seria capaz de transformar a realidade da categoria.

Essa história continua sendo escrita todos os dias. Ainda enfrentamos desafios relacionados ao cumprimento integral da legislação, à implementação dos planos de carreira, à garantia da jornada com tempo destinado ao planejamento pedagógico e ao reconhecimento efetivo da importância social do magistério.

Celebrar esta data, portanto, é também renovar o compromisso com essa luta. Defender a Lei do Piso é defender a escola pública, a qualidade da educação e o direito de cada estudante a aprender com profissionais respeitados e valorizados.

Que estes 18 anos representem não apenas a memória de uma grande conquista, mas também a certeza de que ainda há muito a avançar. O piso salarial foi um passo decisivo, mas a valorização do magistério exige políticas permanentes, compromisso dos gestores e a continuidade da mobilização das trabalhadoras e dos trabalhadores em educação.

Hoje celebramos essa vitória coletiva com orgulho, mas também com a convicção de que a educação pública brasileira só alcançará todo o seu potencial quando professoras e professores forem reconhecidos, em sua plenitude, como protagonistas da construção de um país mais democrático, desenvolvido e socialmente justo.

Deumeires Morais –  presidenta da FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul)

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