Enquanto garante aumentos para o próprio salário, a Prefeita de Campo Grande ignora o “tarifaço” de até 396% no IPTU e ameaça judicializar a questão caso os vereadores fiquem ao lado do povo.
Em um espetáculo de desconexão com a realidade e falta de empatia, a prefeita Adriane Lopes (PP) transformou a abertura dos trabalhos legislativos na Câmara Municipal, nesta segunda-feira (02), em um palanque de intimidação em vez de um espaço para soluções. Com um discurso carregado de tom autoritário, a chefe do Executivo deixou claro: não está preocupada com a “impopularidade” de esfolar o bolso do cidadão pois, segundo ela, não disputará eleições em 2026.
“Não estou pensando na impopularidade” A frase soou como um soco no estômago dos campo-grandenses que abriram seus carnês de IPTU com aumentos que chegam a inacreditáveis 296% (com picos de 396% em terrenos baldios). Para Adriane, o sacrifício é necessário — desde que não seja o dela. Enquanto a prefeita defende “medidas duras”, os números revelam uma hipocrisia escandalosa:
- A “Taxa do Lixo” seletiva: No Bairro Carandá Bosque, a mansão da prefeita foi beneficiada com uma redução de 41% na taxa de lixo (caindo de R$ 1,2 mil para R$ 706). Já para 61% da população, o boleto veio com valores acima da inflação.
- O reajuste de elite: Enquanto o servidor municipal amarga três anos sem reposição, o salário de Adriane Lopes saltou de R$ 21 mil para R$ 26 mil, com previsão de chegar a R$ 35 mil em 2027 — um aumento de 66%.
Ameaça ao Legislativo e à População: Em um momento de tensão, a prefeita foi categórica ao afirmar que, se os vereadores derrubarem seu veto ao projeto que suspende o aumento abusivo nesta terça-feira (03), ela não hesitará em entrar na Justiça contra o Legislativo e, por tabela, contra a população. É a política do “ou aceitam o tarifaço, ou enfrentam os tribunais”.
Adriane ainda tentou transferir a culpa, alegando que os vereadores “não ficaram atentos” às propostas enviadas em 2025. Uma tática de “lavar as mãos” que ignora a responsabilidade direta de sua caneta nos decretos que asfixiam a economia local.
O Tiro pela Culatra: A estratégia de arrecadação agressiva já mostra sinais de colapso. Em janeiro deste ano, a arrecadação do IPTU foi de R$ 148,8 milhões — uma queda drástica de 51% em relação aos R$ 308 milhões de janeiro de 2025. O povo, sufocado, simplesmente não consegue pagar.
Mesmo com o apoio de caciques políticos, Adriane preferiu o papel de vítima na tribuna. Queixou-se de sofrer “ataques e desconstrução”. A diferença é que os ataques que ela sofre vêm da realidade dos números e do desespero de quem não sabe como fechar a conta do mês.
O Veredito de Amanhã: Nesta terça-feira, a Câmara Municipal decidirá se manterá o veto de Adriane ou se terá a coragem de barrar o “tarifaço”. Com 14 vereadores já posicionados contra o veto e outros “em cima do muro”, a pressão nos corredores é sufocante.
Fica a pergunta: os vereadores serão representantes do povo ou cúmplices de uma gestão que admite não se importar com a opinião pública?






