Enquanto a prefeita Adriane Lopes prorroga cortes de 25% em serviços básicos e congela salários de servidores humildes, seu próprio contracheque e o de sua elite política saltam com reajustes que chegam a 66%. A Capital sucumbe a buracos e abandono, despertando uma saudade inesperada de gestões passadas.
Campo Grande vive um paradoxo administrativo que desafia a lógica e a paciência do contribuinte. A atual gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) parece governar para dois mundos distintos: o mundo do “arrocho fiscal” para o cidadão comum e o mundo da “abundância” para o primeiro escalão.
Castigo para o Povo
O cenário é desolador. Ruas tomadas por buracos, postos de saúde sem remédios, hospitais sem leitos e obras paradas contrastam com a caneta ágil da prefeita na hora de assinar reajustes para si mesma. Em um movimento que muitos classificam como falta de pudor político, Adriane garantiu um aumento escalonado que elevará seu salário para R$ 35.462,22 em 2027 — uma alta acumulada de 66%.
Enquanto isso, a “tesoura” funciona sem piedade para o resto da cidade:
- Corte de 25% em água, luz, combustível e serviços terceirizados.
- Redução do atendimento ao público para apenas 6 horas diárias.
- Congelamento salarial para milhares de servidores que ganham menos de um salário mínimo base desde 2020.
- Aumento recorde de IPTU e Taxa de Lixo, que em alguns casos chegou ao absurdo de 396%.
E o Bernal?
Quem diria que a Capital chegaria a este ponto? Nas rodas de conversa e nas redes sociais, o bordão “Ai que saudade do Bernal” deixou de ser piada para se tornar um desabafo. Se antes Alcides Bernal (PP) era criticado, a atual administração conseguiu a proeza de fazer o campo-grandense olhar para o passado com nostalgia, diante da percepção de que a cidade hoje está abandonada à própria sorte.
Parece que a sabedoria de Salomão continua ecoando forte! (Provérbios 29:2): “Quando o justo governa, o povo se alegra; mas quando o injusto governa, o povo geme”. E o povo de Campo Grande tem gemido sob o peso de impostos altos e serviços precários.
A “Folha Secreta”
A polêmica ganha contornos ainda mais graves com a chamada “folha secreta”. Enquanto pede sacrifício aos professores e nega adicionais noturnos aos trabalhadores, a prefeita beneficiou diretamente sua cúpula. Um exemplo gritante é o de sua concunhada e chefe da Casa Civil, Thelma Lopes, cujos rendimentos deram um salto impressionante de R$ 23,5 mil para R$ 33,3 mil em apenas um mês.
Três anos de agonia pela frente
Com uma equipe considerada tecnicamente fraca pela sociedade, a perspectiva é de mais três anos de “contingenciamento” seletivo. Adriane Lopes afirma ter “coragem e ousadia” para cortar gastos, mas até agora, essa coragem só foi vista na hora de tirar do prato do servidor e do asfalto das ruas, nunca na hora de abrir mão dos próprios privilégios.
Campo Grande segue alagada em dias de chuva e suja em dias de sol, esperando que, em algum momento, a administração municipal entenda que governar é servir ao povo, e não servir-se dele.
Como diz a música da eterna Marília Mendonça, sob esta administração, “Todo mundo vai sofrer” — exceto, é claro, quem está sentado nas cadeiras estofadas do Paço Municipal.
Por Antonio Ueno – Cientista Político





