Às vésperas de completar 75 anos de idade, no próximo dia 2 de julho, o ex-governador André Puccinelli (MDB) marcou a história política de Mato Grosso do Sul, sendo governador e prefeito de Campo Grande por dois mandatos, deputado estadual e federal, além de uma das principais lideranças do seu partido, tanto em nível estadual, quanto em nível nacional.
Esse verdadeiro mito político sul-mato-grossense, que, apesar de ter nascido em Viareggio, na Itália, virou um cidadão do Estado e da Capital por opção, sendo onde se estabeleceu profissionalmente como médico, formou sua família e construiu seu legado na política estadual e nacional. Médico e político ítalo-brasileiro, Puccinelli sempre foi filiado ao MDB, partido que lhe fez o primeiro estrangeiro a ser prefeito de uma capital na história brasileira.
Filho do casal de italianos Carlo Puccinelli e Giuseppa Fiaschi Puccinelli, ele mudou-se para o Brasil em 1953 e morou com a família inicialmente em Porto Alegre (RS) e, posteriormente, em Curitiba (PR). Em 1966, ingressou no curso de Medicina da UFPR (Universidade Federal do Paraná), diplomado em 1971.
No ano seguinte, fez residência médica no Hospital de Clínicas de Curitiba e, em 1973, transferiu-se para Fátima do Sul (MS), tornando-se médico do Hospital Nossa Senhora de Fátima. Foi lá que André Puccinelli iniciou sua trajetória política depois de casar com Elizabeth Maria Machado, com quem teve três filhos – a médica Vanessa Puccinelli e os advogados André Puccinelli Júnior e Denise Puccinelli.
Carreira política
Em Fátima do Sul, ele tentou ser prefeito, mas perdeu a eleição, porém, logo foi convidado e aceitou ser o secretário estadual da Saúde entre 1983 e 1985 na gestão do falecido governador Wilson Barbosa Martins (MDB). Depois de ter sido candidato a deputado estadual, foi eleito e reeleito no período de 1987 a 1991 e de 1991 a 1995.
Quando tentou uma vaga na Câmara dos Deputados e conseguiu ser eleito deputado federal, ficando no cargo de 1995 a 1996, quando foi eleito prefeito de Campo Grande em 1996. Graças uma gestão progressista e marcada por visitas durante as madrugadas aos postos de saúde da Capital para verificar os atendimentos e até fazer os atendimentos. Ele também acordava às 5 horas todos os dias para fiscalizar as obras em andamento no município, modelo de gestão que lhe rendeu a reeleição em 2000.
Ainda nesse ano, André Puccinelli foi admitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à Ordem do Mérito Militar no grau de Comendador Especial. Foi também na sua gestão que todas as favelas de Campo Grande foram eliminadas e substituídas por conjuntos habitacionais populares, com toda a infraestrutura básica. Nas eleições de 2006, candidatou-se a governador de Mato Grosso do Sul, tendo como principal adversário nas urnas o senador Delcídio do Amaral (PT). Em 2010 concorreu à reeleição, tendo disputado contra o ex-governador Zeca do PT, mas conquistou a reeleição ainda no primeiro turno, tendo renovado seu mandato de governador até 2015.
Esses oito anos como prefeito de Campo Grande e depois mais oito anos como governador de Mato Grosso do Sul consolidaram o nome de André Puccinelli como principal liderança política do MDB sul-mato-grossense, tanto que, de suas administrações, tanto na Prefeitura da Capital, quanto no Governo do Estado, saíram três ministros de Estado. Primeiro foi o ex-deputado federal Carlos Marun, que foi ministro da Secretaria de Governo na gestão de Michel Temer.
Depois foi a vez da ex-deputada federal e atual senadora Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na gestão de Jair Messias Bolsonaro. Por último, a ex-senadora Simone Tebet, atual ministra de Planejamento e Orçamento na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, seus secretários municipais e estaduais viraram vereadores, deputados estaduais, deputados federais e até prefeitos. Também emplacou dois conselheiros do TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul), Osmar Jerônymo e Jerson Domingos.
Processos e prisões
Porém, a trajetória política de André Puccinelli não foi só de glórias, teve também seus percalços, como a denúncia ao MPF (Ministério Público Federal) por enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro, “Operação Uragano”, “Operação Lama Asfáltica” e prisão.
Brilho
Puccinelli saiu candidato a governador nas eleições gerais do ano passado, mas não conseguiu avançar para o segundo turno. Além disso, teve de enfrentar uma disputa interna pelo comando do partido, mas, aparentemente, esse problema já está sendo sanado e, apesar de tudo, nada tira o brilho por tudo aquilo que conseguiu contribuir para o desenvolvimento de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul.





