O primeiro ano do mercado regulado de apostas eletrônicas no Brasil termina com números expressivos. Segundo levantamento da consultoria internacional Regulus Partners, o país estreou diretamente no “Top 5” mundial em faturamento, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Rússia. Sob a supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), o setor movimentou R$ 32,2 bilhões em Receita Bruta de Jogos (GGR) ao longo de 2025.
Impacto Econômico e Arrecadação
A formalização do setor, que iniciou sua operação plena em janeiro deste ano, trouxe fôlego aos cofres públicos. Estima-se que a arrecadação total, somando impostos federais e municipais, tenha atingido a marca de R$ 9 bilhões.
Além do peso fiscal, o mercado de “bets” mostrou-se um gerador de oportunidades de trabalho, com a criação de 15,5 mil empregos, divididos entre 10 mil postos diretos e 5,5 mil indiretos. Atualmente, 79 grupos possuem autorização oficial para operar 184 marcas no território nacional.
O Perfil do Apostador Brasileiro
O alcance das apostas no Brasil é vasto: cerca de 10% da população (27,5 milhões de pessoas) realizou ao menos uma aposta no último ano. Os dados revelam um perfil majoritariamente masculino e jovem-adulto:
- Gênero: 67,8% são homens.
- Idade: A maior concentração está na faixa de 31 a 40 anos (28,6%).
Dilemas: Impostos e Mercado Ilegal
Apesar do crescimento, o setor enfrenta uma encruzilhada. Aproximadamente 40% do mercado ainda é dominado por plataformas ilegais. Essas empresas conseguem oferecer odds (probabilidades de ganho) mais atraentes por não pagarem tributos, o que dificulta a migração total dos usuários para o mercado regulado.
O debate sobre a carga tributária também aqueceu o fim de 2025. O governo aprovou o aumento da alíquota sobre o GGR, que subirá dos atuais 12% para 15% até 2028. O Executivo defende que a arrecadação extra é essencial para custear os impactos sociais do jogo, enquanto empresas do setor alertam que o aumento pode favorecer a clandestinidade.
Foco na Saúde Pública
Como resposta ao aumento da exposição aos jogos, o governo instituiu o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas. O foco é o combate à ludopatia — transtorno mental caracterizado pelo impulso incontrolável de apostar. A estrutura visa integrar ações de apoio psicológico e tratamento através do Sistema Único de Saúde (SUS), tratando o vício em apostas com o mesmo rigor aplicado a outras dependências, como o tabagismo.




