Câmara Municipal prepara “Xeque-Mate” contra Adriane Lopes

O clima no Paço Municipal é de isolamento, enquanto na Câmara Municipal o sentimento é de revanche. Após serem acusados pela prefeita de responsabilidade no aumento abusivo do IPTU — que chegou a registrar altas de 396% — os parlamentares decidiram “dar o troco”. A estratégia está traçada: o Legislativo pretende desarmar as medidas fiscais da prefeitura e se distanciar da impopularidade que atinge a chefe do Executivo.

O troco do legislativo

O presidente da Casa, Epaminondas Silva Neto (Papy – PSDB), confirmou que a prioridade é a apreciação do veto da prefeita ao projeto que suspendeu o reajuste da taxa do lixo acima da inflação.

“Os vereadores terão a oportunidade de se manifestarem mais uma vez sobre a taxa do lixo, que foi aumentada abruptamente, sem diálogo”, afirmou Papy.

A derrubada do veto é dada como certa. Até mesmo aliados e membros do próprio partido da prefeita, como o vereador Professor Riverton (PP), já sinalizaram voto contrário aos interesses de Adriane. O temor dos parlamentares é serem arrastados para a “lama da impopularidade”, já que a gestão atual é reprovada por 85% da população (dados de dezembro de 2025).

O caos dos Carnês

A crise do IPTU 2026 gerou uma queda vertiginosa na arrecadação municipal. A receita despencou de R$ 380 milhões na primeira quinzena de janeiro para apenas R$ 160 milhões.

  • A “Culpa” é de quem? Adriane inicialmente negou os aumentos, mas depois mudou o discurso, alegando que os vereadores sabiam e aprovaram a atualização da planta imobiliária.
  • Reação: Os parlamentares acusam a prefeita de mentir e de usar a Câmara como escudo para um erro de gestão que paralisou o sistema de atendimento ao cidadão por dias.

O calote dos precatórios: R$ 42 milhões em dívida

Não bastasse a crise tributária, um levantamento baseado em dados do Tribunal de Justiça de MS (TJMS) aponta que a prefeitura deixou de pagar R$ 42.187.680,01 em precatórios que deveriam ter sido quitados até 31 de dezembro de 2025.

Consequência Jurídica: O calote configura violação direta à Constituição Federal. Credores já estão sendo intimados pelo TJMS para solicitar o sequestro de valores das contas públicas. Caso a inadimplência persista, Adriane Lopes pode enfrentar um processo de intervenção estadual e ser processada por crime de responsabilidade.

O Fantasma do Impeachment

Nas ruas, a insatisfação tomou forma jurídica. O advogado e pré-candidato ao Senado, Oswaldo Meza Baptista (DC), lançou uma petição online para colher 100 mil assinaturas visando a abertura de um processo de impeachment. Até o momento, mais de 7 mil pessoas já assinaram.

Os 4 Pilares do Pedido de Cassação:

  1. Colapso na Saúde: Falta de medicamentos básicos e instabilidade na assistência farmacêutica.
  2. Crise de Infraestrutura: O “asfalto de papel” e o abandono das vias públicas, tomadas por buracos.
  3. Aumento Abusivo do IPTU: Falta de transparência e desrespeito à capacidade contributiva do cidadão.
  4. Má Gestão Generalizada: Afronta à legalidade administrativa e quebra de confiança pública.

O movimento, batizado de “Revolução das Botas”, promete realizar caminhadas pelos bairros da capital para galvanizar o apoio popular e pressionar os vereadores a aceitarem a denúncia assim que as sessões retomarem.

O que esperar?

A sessão de abertura do ano legislativo será um termômetro para a sobrevivência política de Adriane Lopes. Se a Câmara de fato derrubar o veto da Taxa do Lixo e endurecer o discurso sobre os precatórios, a prefeita ficará sem margem de manobra financeira e política.

O “xeque-mate” mencionado pelos bastidores pode ser o início do fim de uma gestão que, hoje, ostenta o amargo título de uma das piores avaliações do país.

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