Cutia: Uma Lição de Amor sobre Quatro Patas

Assessoria

Meu nome é Cutia. Eu nasci com a vocação de amar, mesmo quando o mundo parecia não saber o que fazer com todo o afeto que eu tinha para entregar.

Um dia, alguém me prometeu cuidado e proteção. Eu acreditei com a pureza que só nós, cachorros, temos. Mas havia um abismo entre nós: as drogas. Elas eram sombras que roubavam o tempo, o carinho e o olhar que deveriam ser meus. Mesmo assim, eu ficava. Eu esperava. Porque o meu amor não conhece metades; ele é inteiro, silencioso e persistente.

Em um momento de fuga, buscando apenas um pouco de ar, a vida aconteceu. Fiquei prenha. Logo, cinco pequenos corações batiam junto ao meu. Mas eles nunca conheceram o calor de um colo ou a segurança de um teto. Foram arrancados de mim e descartados como se não fossem vida, pelo mesmo homem que prometeu me proteger. Meu choro ecoou no vazio; ninguém ouviu.

A vida seguiu cinza, amedrontada. Até o dia em que ele me levou para um lugar estranho. Paredes frias, cheiros desconhecidos e um silêncio que doía. Foi ali que entendi a verdade mais cruel: eu havia sido trocada por vício. Meu coração, já calejado, quebrou de vez.

Mas a lealdade é um fardo bonito. Na primeira oportunidade, eu fugi e voltei para ele. Voltei porque achei que ele precisava de mim. Só que o vício não tem gratidão. Um dia, ele simplesmente partiu e me deixou para trás, guardando o nada em uma casa vazia.

Foi quando o destino — que às vezes tarda, mas não esquece de nós — bateu à porta.

Uma alma generosa me encontrou. Fui levada para um mundo novo: um quintal vasto, o céu aberto e duas irmãs caninas gigantes. No início, meu corpo tremia. O peso do passado ainda era uma corrente invisível no meu pescoço.

Mas o amor verdadeiro é paciente. Ele chegou devagar, em forma de um olhar manso, um gesto de carinho e o som de uma voz que não gritava. O medo, enfim, soltou minha pata. Os dias ganharam cor.

Hoje, quando olho para o horizonte no meu quintal, eu celebro:

  • A alegria de ser livre.
  • O privilégio de ser amada.
  • A paz de ter, finalmente, um lar.

Eu sou a Cutia. Sobrevivi ao abandono, venci a dor e, acima de tudo, nunca deixei que me roubassem a capacidade de amar.

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