De que Lado Você Está?

Vivemos em uma era onde mais de 90% dos domicílios brasileiros têm internet. Estar em Brasília não impede ninguém de apertar um botão em defesa do cidadão.
Reprodução IA

A política, em sua essência, deveria ser o exercício da solidariedade e da justiça social. No entanto, o que assistimos nos últimos dias na Câmara Municipal de Campo Grande foi um espetáculo de individualismo e conveniência que deixou um gosto amargo na boca do contribuinte.

A votação para derrubar o veto da prefeita Adriane Lopes sobre o reajuste do IPTU e da Taxa de Lixo não foi apenas uma decisão administrativa; foi um divisor de águas que revelou quem realmente está ao lado do povo e quem prefere as sombras do poder.  

A “Mornidão” que Condena

Diz o texto bíblico em Apocalipse (3:15-16): “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno… vomitar-te-ei da minha boca”. Essa passagem define perfeitamente os seis vereadores que, mesmo custando cerca de R$ 50 mil mensais aos cofres públicos (entre salário e verba indenizatória), simplesmente não compareceram à sessão mais importante dos últimos tempos.  

A desculpa da distância não cola mais. Vivemos em uma era onde mais de 90% dos domicílios brasileiros têm internet. Existe sistema para votação remota. Estar em Brasília não impede ninguém de apertar um botão em defesa do cidadão. A ausência, neste caso, foi um apoio silencioso à prefeita Adriane Lopes.  

O Teatro das Mudanças de Lado

O cenário fica ainda mais grave quando olhamos para os vereadores que, em janeiro, votaram contra o aumento e agora, subitamente, “mudaram de consciência”. O que mudou? O projeto continuou o mesmo, o bolso do povo continuou o mesmo, mas a pressão — ou a conveniência — parece ter falado mais alto.  

O Ministério Público (MPMS) e o Judiciário já apontaram: o aumento via decreto, alterando o Perfil Socioeconômico dos Imóveis (PSEI) sem passar por lei, é ilegal e inconstitucional. Ignorar o clamor da OAB, do CRECI e da população para sustentar um boleto extorsivo é um crime contra quem trabalha e produz nesta cidade.  

Individualismo Competitivo

Como cientista político, analiso que esse embate reflete uma dualidade profunda. De um lado, temos a solidariedade, que busca a cooperação e o equilíbrio social. Do outro, um individualismo competitivo disfarçado de meritocracia, onde o sucesso do governo em arrecadar é colocado acima da sobrevivência financeira das famílias.  

Quando um vereador vota a favor de um imposto abusivo, ele está dizendo que o esforço coletivo da população deve servir para alimentar a máquina pública, e não para o bem-estar social. Ele ignora as desigualdades e pune quem já não aguenta mais pagar a conta.  

A Hora da Verdade

A batalha agora segue no Tribunal de Justiça. O desembargador Dorival Renato Pavan foi claro: para fixar novos valores que impactam o IPTU, é necessária lei, e não apenas um decreto “canetado”. A “enxurrada” de ações judiciais é certa.   Mas a pergunta principal não é jurídica, é moral.

E você, Eleitor, de que lado você está? Em 2026, a memória cobrará o preço daqueles que se omitiram ou traíram princípios por conveniência. A política é feita de escolhas, e a conta dessa omissão vai chegar — se não agora no seu bolso, com certeza no resultado das urnas.”

Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.” Pablo Neruda

 Por Antonio José Ueno (Tony), Cientista Político

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