Educação que Transforma: Lucas Bitencourt detalha avanços e superação à frente da SEMED

Em uma entrevista ao Jornal da Top, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, o secretário municipal de Educação de Campo Grande, Lucas Bitencourt, compartilhou detalhes marcantes de sua trajetória pessoal de superação e apresentou um balanço detalhado das principais conquistas e desafios da Rede Municipal de Ensino (SEMED).

Uma Trajetória de Superação e Amor pela Educação

A história de Lucas Bitencourt com o universo educacional começou de maneira precoce e motivada por uma grande reviravolta pessoal. Natural de São Paulo, ele perdeu a mãe em um acidente automobilístico quando tinha apenas 12 anos de idade. O próprio Lucas ficou temporariamente cadeirante devido a uma grave fratura na bacia, voltando a andar após seis meses de recuperação.

Sem responsáveis diretos para cuidar dele e de sua irmã, Lucas procurou o diretor de uma escola em modelo de internato onde sua mãe havia trabalhado como limpadora. Acolhido pelo diretor, ele ingressou no colégio e, aos 15 anos, já possuía um contrato de jovem aprendiz. Iniciando na limpeza da instituição, ele galgou caminhos como monitor, vice-diretor e diretor escolar. Mais tarde, atuou como assistente educacional no ensino superior (UNASP), gerente de ensino na Secretaria de Educação de São Paulo, conselheiro tutelar e coordenador educacional para a região Centro-Oeste em Brasília, antes de assumir a pasta na capital sul-mato-grossense.

“A educação transformou a minha vida”, declarou o secretário ao relembrar sua história.

Juntos pela Escola: Revolução na Infraestrutura

Ao assumir a pasta em Campo Grande, a gestão traçou um planejamento fundamentado em três pilares: infraestrutura, recursos humanos e pedagógico. O principal destaque estrutural foi o lançamento do projeto “Juntos pela Escola”, respaldado pela Lei do Terceiro Setor (Lei nº 13.019).

A iniciativa desburocratizou as reformas ao enviar os recursos financeiros diretamente para as Associações de Pais e Mestres (APMs) gerenciarem. Com isso, 207 escolas receberam intervenções simultâneas de pintura, elétrica, hidráulica e telhado, movimentando mais de R$ 56 milhões de reais e aquecendo a economia local.

Redução Histórica no Déficit de Vagas

Um dos problemas crônicos enfrentados pelo município era a extensa fila para a Educação Infantil, que contava com cerca de 13 mil crianças aguardando uma vaga. Através de articulação política direta com o Governo Federal e bancada federal, a secretaria conseguiu destravar e retomar obras que estavam paralisadas.

Além da entrega de novas creches e escolas, um processo licitatório viabilizou a construção modular de 144 novas salas de aula — o equivalente a cerca de 20 novas escolas. Esse esforço conjunto reduziu a lista de espera de 13 mil para apenas 100 alunos, com a meta de zerar o déficit por completo. Novas inaugurações estão previstas até o final do ano em regiões importantes como Oliveira 3, Vila Popular e Nasiasene.

Valorização Profissional e Saúde Mental

Após 8 anos sem processos dessa natureza, a atual gestão realizou um concurso público para o magistério. Inicialmente com 314 vagas, o município já convocou mais de 1.300 profissionais, e a prefeitura prorrogou o certame para novas chamadas à medida que novas salas forem inauguradas. Atualmente, Campo Grande possui uma taxa expressiva de 87% de servidores efetivos na educação.

O secretário também demonstrou forte preocupação com a saúde emocional dos professores diante das novas realidades sociais pós-pandemia. Para mitigar os desgastes, a SEMED conta com um grupo de psicólogos específico no Centro Psicológico da Educação Municipal para dar suporte clínico aos educadores.

Merenda Escolar e Impacto Social

Com uma rede massiva que atende 115 mil alunos, o orçamento da educação municipal se equipara ao orçamento de municípios inteiros do estado, como Três Lagoas. Mensalmente, a rede serve milhares de toneladas de refeições balanceadas, elaboradas por um comitê de nutricionistas.

O secretário ressaltou o papel social da merenda, destacando que R$ 19 milhões de reais desse orçamento são destinados diretamente à compra de produtos da agricultura familiar local. Lucas Bitencourt emocionou os ouvintes ao relatar a realidade de vulnerabilidade de alguns estudantes, lembrando o caso de um aluno que confessou repetir de ano intencionalmente para garantir a alimentação diária fornecida pela escola.

Tecnologia e Segurança Monitorada

Em parceria com a Secretaria de Segurança, as unidades de ensino ganharam o reforço de um botão antipânico conectado à Guarda Municipal, garantindo o tempo de resposta das patrulhas em até 3 minutos em caso de emergência.

Apesar do forte aparato de monitoramento de rondas pelas sete regiões da cidade, Bitencourt alertou para a necessidade do envolvimento familiar na supervisão das mochilas, do comportamento emocional e do tempo excessivo de tela das crianças com jogos e plataformas virtuais.

Facebook
Twitter
WhatsApp

Leia Também