CAMPO GRANDE – Em uma sessão extraordinária marcada por tons de revolta e críticas severas à gestão municipal, a Câmara de Vereadores de Campo Grande impôs, na noite desta segunda-feira (12), uma derrota política “homérica” à prefeita Adriane Lopes (PP). Por 20 votos a zero, o Legislativo suspendeu o Decreto nº 16.402, que promovia um reajuste considerado abusivo na Taxa de Lixo e, consequentemente, no IPTU 2026.
A decisão deve beneficiar proprietários de 71% dos imóveis da capital, que viram seus carnês chegarem com valores muito acima da inflação. Com a derrubada do decreto, o Perfil Socioeconômico dos Imóveis (PSEI) retorna aos parâmetros de 2018, e o reajuste do imposto deve se limitar ao índice inflacionário de 5,32%.
“Errei ao votar nela”, desabafa aliado
O clima no Plenário foi de ruptura. Até mesmo vereadores da base aliada manifestaram arrependimento público. O Professor Riverton (PP), do mesmo partido da prefeita, foi enfático: “Errei e ela ainda está em tempo de recuperar e me mostrar que pode ser uma ótima gestora, mas por enquanto eu errei”, declarou, alertando que uma eventual judicialização por parte do Executivo seria “jogar contra a cidade”.
As críticas mais pesadas vieram de Flavio Cabo Almi (PSDB), que mencionou a existência de vários pedidos de cassação protocolados na Casa. Segundo ele, a Capital sofre com buracos e falta de medicamentos. “Não vou me calar mais diante de tamanho desmando do Executivo”, disparou.
Falta de transparência e “benefício aos ricos”
A justificativa técnica para a derrubada do aumento focou na ausência de diálogo e transparência. Segundo o projeto assinado pelo presidente da Casa, Papy (PSDB), e pelo primeiro secretário, Carlão (PSB), a prefeitura promoveu uma “remodelação total” na classificação dos imóveis sem estudo prévio do Legislativo ou divulgação clara aos contribuintes.
Dados apresentados durante a sessão apontaram distorções graves: enquanto a taxa de lixo de bairros periféricos subiu drasticamente, o novo cálculo teria reduzido em 41% a taxa aplicada a imóveis de alto padrão, como a própria mansão da prefeita.
“Temos a obrigação de defender a população e enviar um sinal de independência”, ressaltou o vereador Rafael Tavares (PL), presidente da Comissão Especial.
Impasse nos descontos
Apesar da vitória na taxa de lixo, a Câmara não conseguiu retomar o tradicional desconto de 20% para pagamento à vista, mantido por 53 anos na capital e reduzido para 10% pela atual gestão. O presidente Papy explicou que o Legislativo não possui competência legal para restabelecer o índice por conta própria.
O que acontece agora?
Para os contribuintes que já efetuaram o pagamento com os valores antigos, a Lei Complementar aprovada prevê:
- Ressarcimento: O reembolso dos valores pagos a mais poderá ser feito de forma administrativa.
- Prazo: A Prefeitura de Campo Grande tem 10 dias para expedir a regulamentação de como esse dinheiro será devolvido ao cidadão.
- Aguardar: Não pague, espere.





