Entrevista com a deputada estadual Gleice Jane, no Jornal da Top

Rede Top FM

A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, iniciou a semana nesta segunda-feira (19) entrevistando a deputada estadual Gleice Jane (PT), que falou sobre a trajetória política, seu mandato e a urgente questão da violência contra as mulheres no Brasil e no Estado.

“Professora por formação, militante por convicção e política por escolha, tenho uma longa experiência nas ruas, sindicatos e movimentos sociais. Por isso, procuro defender a educação pública, os direitos das mulheres e dos povos indígenas, o meio ambiente e a cultura como ferramentas de transformação social”, garantiu.

Ela reforçou que seu trabalho é construído lado a lado com a população, refletindo as demandas e urgências sociais através de uma “escuta qualificada”. “Sou reconhecida como uma das parlamentares mais propositivas da Assembleia Legislativa graças a constante conexão com a população e a percepção das suas necessidades”, afirmou.

Gleice Jane ressaltou que visita territórios indígenas, escolas e está em contato com mulheres de diversas categorias (camponesas, indígenas, urbanas, estudantes, professoras), utilizando essa escuta para pautar seus projetos.

Diante de uma enquete sobre violência doméstica, a deputada estadual afirmou categoricamente que “em caso de violência contra a mulher, a gente salva a mulher, a gente tem que entrar”, rechaçando a ideia de não intervir.

“Como mulher feminista e militante há 25 anos, posso destacar o aumento da visibilidade da pauta feminina na atual legislatura e isso devido à presença de três mulheres deputadas estaduais”, comentou.

Ela lembrou que o ano passado foi marcado por um aumento chocante na crueldade da violência contra as mulheres, o que também gerou uma reação sem precedentes, com movimentos espontâneos de mulheres nas ruas de todo o Brasil para combater essa violência.

A parlamentar criticou a postura institucional (como em delegacias) que questiona a vítima sobre sua roupa ou local, transferindo a culpa para a mulher. “As pesquisas indicam uma geração de jovens homens mais machistas e misóginos, enquanto as jovens mulheres estão mais feministas e conscientes de seus direitos”, pontuou.

Gleice Jane relatou ter recebido uma ameaça de morte direta, mas não se surpreendeu, pois já está acostumada a receber xingamentos e mensagens de ódio ao longo de sua trajetória de militante. “Eu interpretei a ameaça não como algo pessoal, mas como uma tentativa de intimidar a luta das mulheres como um todo. Apesar de um susto inicial, a ameaça não me intimidou, mas me fez refletir sobre como a violência contra mulheres ativistas é, infelizmente, naturalizada”, reclamou.

Nessa área, a deputada estadual destacou um projeto de lei crucial: a criação de um Fundo Estadual para rastrear e medir o investimento do governo na prevenção da violência contra as mulheres. “Atualmente, não há como quantificar o investimento nesta área, o que impede uma alocação eficaz de recursos”, revelou.

Ela explicou que o fundo visa permitir o acompanhamento preciso dos gastos governamentais e destinar recursos especificamente para essa causa, com potencial para transformar a vida das mulheres e ser um divisor de águas no enfrentamento à violência.

Sobre as eleições gerais deste ano, a parlamentar confirmou a pré-candidatura à reeleição e avisou que já iniciou viagens aos municípios para ouvir a população e identificar uma grande demanda pela continuidade do trabalho que vem sendo feito.

A Gleice Jane ainda detalhou que as mulheres vítimas são frequentemente coagidas pelos agressores a se afastarem de amigos e relações sociais que as protegem, um comportamento comum no ciclo da violência. “A violência nem sempre é física, sendo muitas vezes psicológica e minando as forças da mulher. O afastamento de amigas é um sinal de alerta. Este ciclo pode evoluir para algo mais grave, como o feminicídio”, argumentou.

Assista a entrevista completa pelo link:

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