A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quarta-feira (25), a deputada estadual Lia Nogueira (PSDB), que falou sobre suas conquistas e prioridades legislativas, com foco principal nos direitos das mulheres, apoio a famílias atípicas e defesa dos profissionais de saúde em Mato Grosso do Sul.
“Um esforço significativo da minha parte resultou na primeira Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) 24 horas no interior do Mato Grosso do Sul, localizada em Dourados, a segunda maior cidade do Estado. A violência contra mulheres ocorre predominantemente à noite e de madrugada, sendo que as delegacias anteriores funcionavam em horário comercial, dificultando o acolhimento imediato e especializado”, detalhou.
Ela observou um aumento considerável no número de ocorrências registradas, não indicando mais violência, mas sim maior visibilidade e acesso ao sistema de denúncia, que antes permaneciam encobertos. “Este modelo oferece um acolhimento diferenciado e rompe o ciclo da violência. Além disso, consegui aprovar, por unanimidade, um projeto de lei que cria um programa de incentivo para a contratação de mulheres que sofreram violência doméstica e familiar”, revelou.
Lia Nogueira completou que esse projeto é complementar ao projeto estadual “Recomece”, oferecendo às mulheres uma oportunidade de independência financeira, que é crucial para que possam sair de relacionamentos tóxicos e abusivos. “Para este ano, vou continuar a lutar pela preservação dos direitos das mulheres, combatendo o machismo estrutural e buscando remover Mato Grosso do Sul do mapa da violência nacional contra as mulheres”, assegurou.
A parlamentar também disse que vai manter a bandeira de apoio às famílias atípicas, defendendo a lei de sua autoria que concede 60% de desconto no IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) para essas famílias. “O desconto permite que os recursos economizados sejam aplicados em terapias, fonoaudiologia ou necessidades básicas”, garantiu.
A deputada estadual ainda ressaltou que preside a Frente Parlamentar em Defesa dos Profissionais de Saúde do Mato Grosso do Sul. “Defender esses profissionais (muitos deles mulheres e chefes de família) de serem penalizados ou agredidos por problemas sistêmicos do SUS (Sistema Único de Saúde), como a falta de medicação, insumos ou pessoal, que não são de sua responsabilidade direta”, argumentou.
Sobre as eleições deste ano, ela confirmou que buscará a reeleição, reconhecendo que é um desafio. “A reeleição é mais difícil do que ser eleita pela primeira vez, mas, para isso, pretendo permanecer no PSDB, partido com o qual me identifico ideologicamente, por acreditar em um caminho de equilíbrio para o Brasil e me distanciando de extremismos políticos”, comentou.
Lia Nogueira revelou que está em seu quarto ano de mandato na Assembleia Legislativa e sua agenda política foca em pautas importantes e necessárias para a sociedade, especialmente a defesa das mulheres. “A importância de não apenas debater, mas de efetivar proposições e construções concretas na política. Neste meu mandato, os destaques incluem projetos de lei para mulheres e famílias atípicas, como o que estende o benefício mensal para mães solo atípicas em Mato Grosso do Sul”, informou.
Para este ano eleitoral, a parlamentar o desafio é a representação feminina na política. “Apesar dos avanços (como o direito ao voto conquistado há 94 anos), o ano atual é considerado desafiador devido à massa de preconceitos e barreiras que ainda precisam ser quebradas. Existe a necessidade de mulheres se sentirem representadas e inspiradas umas pelas outras, mas, muitas vezes, observo atitudes de inveja e diminuição entre as próprias mulheres, em vez de apoio e admiração”, lamentou.
A deputado estadual pontuou que as mulheres são a maioria da população brasileira e do eleitorado, mas a representatividade e o apoio mútuo ainda são um obstáculo. “É crucial votar em mulheres com conteúdo e identificação, não apenas pelo gênero. A cultura histórica posiciona a mulher atrás do homem, em vez de ao lado ou à frente dele, questionando sua capacidade de administração na política”, lembrou.
Ela ainda revelou que foi indicada, junto com a ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil), ao Prêmio Cici Cunha, que homenageia a participação feminina na política e é nomeado em memória de Josefa Cunha, médica, professora e política assassinada em 1998. “Vejo essa indicação como um reconhecimento da minha luta e uma forma de as mulheres não serem caladas, pois muitas vezes, quando uma mulher eleva a voz é rotulada de louca”, analisou.
Em um momento de emoção, Lia Nogueira compartilhou as dificuldades de sua jornada de ser a primeira mulher de sua família sem histórico político a alcançar essa posição, enfrentando machismo e violência de gênero. “Prometo dividir qualquer homenagem recebida com todas as mulheres sul-mato-grossenses, especialmente as da periferia, de onde vim, simbolizando a dificuldade de furar a bolha e abrir caminhos”, concluiu.
Assista a entrevista completa pelo link:






