A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, a (22), encerrou a semana, nesta sexta-feira (26), entrevistando a especialista em comportamento Virgínia Paiva, que falou sobre a importância da etiqueta na sociedade contemporânea, desmistificando a ideia de que se trata apenas de regras antigas e engessadas.
“A etiqueta é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento humano e para a interação social, abrindo portas. Ela é primordialmente sobre comportamento e sobre saber lidar com o outro, sendo muito mais sobre o próximo do que sobre si mesmo. Não se limita a regras de mesa, mas abrange conduta em diversas situações, como na fila do supermercado ou no trânsito”, explicou
Ela revelou que, após perder força nas décadas de 60 e 70, do século passado, a etiqueta recuperou sua importância na sociedade atual. “Os tipos de etiqueta são a social, que é focada na apresentação pessoal (como o “dress code” ou vestimenta adequada) e na maneira de se portar em diferentes ambientes, e a corporativa, que tem nuances específicas para o ambiente de trabalho, especialmente em eventos e confraternizações”, detalhou
Virgínia Paiva acrescentou que a etiqueta não significa se transformar em outra pessoa, mas sim “lapidar-se” como um diamante, adequando o comportamento à situação sem perder a individualidade. “O importante é ter bom senso e entender o ambiente e a ambiência. Os erros comuns em confraternizações e festas são levar comida ou objetos sem permissão, pois é inadequado pegar itens como comida ou arranjos de mesa sem que o anfitrião ofereça. O bom senso é crucial”, alertou.
Outra gafe citada pela especialista é o de consumir em excesso bebidas alcoólicas em festas com o chefe. “Beber demais em eventos corporativos ou sociais pode levar a comportamentos inadequados (como dançar de forma muito sensual ou usar vestimentas inapropriadas), o que pode ter consequências negativas, pois a conduta é lembrada”, pontuou.
Sobre o uso inadequado do celular, ela comentou que o aparelho não deve ser mantido à mesa, especialmente durante as refeições, por questões de higiene e respeito. “Caso precise atender uma ligação, a pessoa deve se afastar da mesa para conversar, evitando que os demais ouçam”, aconselhou.
Virgínia Paiva recordou que a má conduta em confraternizações já levou algumas empresas a mudar suas políticas, como não permitir acompanhantes, para evitar situações constrangedoras e preservar o ambiente profissional. “A vestimenta em festas de empresa é um ponto crítico, sendo preciso evitar roupas excessivamente sensuais. É preciso enfatizar que: o que você faz sozinho é muito melhor do que para todo mundo ver, portanto tenha discrição em eventos públicos”, argumentou.
A especialista reforçou que as regras básicas de etiqueta e bom comportamento são bem-vindas em diversas situações sociais. “O respeito, a escuta ativa e a consideração pelo próximo não podem ser deixadas de lado nunca. A etiqueta moderna é flexível e aplicável a todos os aspectos da vida”, assegurou.
Ela pontuou que a regra fundamental é valorizar o outro, olhando nos olhos e praticando a escuta ativa. “Isso é visto como raro e essencial para uma boa interação. Ao visitar a casa de alguém, é crucial respeitar o espaço do anfitrião, pois invadir a privacidade, como abrir a geladeira sem permissão, deve ser evitada a menos que haja grande intimidade. A educação se traduz em não invadir o espaço do outro”, lembrou.
A respeito de levar bebidas para festas, Virgínia Paiva aconselhou que, antes de fazer isso, o convidado deve conversar com o anfitrião e perguntar se pode. “É uma questão de respeito, já que o anfitrião está organizando o evento. A escolha da roupa deve priorizar o conforto e a adequação ao ambiente, embora seja aceitável usar shorts em um churrasco, é importante ter cuidado para não extrapolar e chamar atenção de forma indevida, já que a vestimenta comunica muito sobre o comportamento de uma pessoa”, falou.
Para concluir, a especialista recordou que pequenas atitudes, como o contato visual, a maneira de cumprimentar e a escuta ativa, são cruciais para a imagem profissional. “Saber o que e quando falar e entender o momento certo para cada assunto, demonstra respeito e profissionalismo. A etiqueta não é mais vista como algo rígido e engessado, mas sim como um conjunto de princípios que se aplicam a todas as situações cotidianas: na fila do supermercado, no trânsito e em todas as interações sociais”, finalizou.
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